27/11/2014

悪人こそがすくわれる Aos maus é que é destinada a salvação


Rev. Futoshi Takehashi (Shaku Kôshû)
Príncipe Ajase (Ajatasatru), o personagem principal da “Tragédia do Castelo Ôsha”, citado no prefácio do Sutra da Contemplação da Vida Imensurável, proferido pelo Buda Shakyamuni (Bu’setsu Kan Muryô-Ju Kyô), é descrito como o grande malévolo difamador do Dharma que matou o próprio pai e tentou ferir o Buda, incorrendo nas Cinco Perversidades (Gogyaku)[1]. O Mestre Shinran, citando o Sutra do Grande Parinirvana (Daihatsu Nehan-gyô) em sua obra “Florilégio de Passagens sobre a Doutrina, a Prática, a Fé e a Realização Verdadeira da Terra Pura” (Kyôgyô Shinshô) no capítulo sobre a Fé (Shin no maki) prega sobre a salvação de Ajase, nos esclarecendo assim a questão do Shinjin[2].
Ajase, é ilustrado como um Icchantika (I'sendai), ou seja, “aquele que não tem salvação, independente da vontade do Buda”.
A salvação daqueles que não podem ser salvos” - ou seja como os maus (Akunin[3]) podem adentrar o Caminho para se tornarem Budas, este é o conteúdo do Shinjin para o Budismo Shin.
No entendimento do Mestre Shinran, as citações contidas no Kyôgyô Shinshô esclarecem o significado das palavras no 18º Voto do Bodhisattva Dharmakara (Hôzô Bosatsu) descrito no Sutra da Vida Imensurável - Bu'setsu Muryô-Ju Kyô: “Todos os seres viventes serão salvos, todavia excluem-se os que cometeram alguma das Cinco Perversidades e caluniaram o Verdadeiro Dharma ”. Para o Mestre Shinran, a salvação de Ajase é a própria salvação, a salvação de si mesmo.
Em verdade, o próprio Mestre Shinran tinha plena consciência de que as Cinco Perversidades mais a Difamação do Verdadeiro Dharma são motivos para o afastamento da Salvação.
É inequívoco que a “salvação dos maus” é a grande marca do Budismo Shin. Porém, isso não foi um pensamento exclusivo dos Mestres Hônen e Shinran. Na verdade, o Budismo desde o início teve como uma de suas temáticas a questão da “Salvação dos maus – a Salvação de Ajase”
Existem muitos Sutras que discorreram sobre a salvação de Ajase. Nesses Sutras é pregado que a salvação de Ajase se deu porque ele “obteve a Fé Mukon[4]”, diz-se que no que se refere a Ajase, o Shinjin é infundado. E é exatamente aqui onde se encaixa o "Shinjin recebido de Amida" ensinado pelo Mestre Shinran.
Nós costumamos pensar que existe um Buda em algum lugar e que possivelmente nós vamos acabar encontrando-o. O que nos é revelado através da palavra Jikaku (tomada de consciência, despertar) é o esclarecimento do quanto estamos equivocados, pois nós mesmos decidimos o que é bom e o que é mau, e dentro dos limites desta extensão, colocamos o Buda e a nossa Salvação, sem duvidar de nada.
Só passamos a nos chamar de Akunin (maus) porque nos encontramos com o Buda, além do mais, a tomada de consciência de que se é mau é a evidência de que nos encontramos com o Buda. Por nos encontrarmos com o que é verdadeiro é que compreendemos que somos falsos. Tanto o eu que procura ouvir o Verdadeiro Ensinamento, como aquele que nem sequer pensa em tornar-se um Buda, ambos constituem-se na figura que sou eu mesmo.
Excetuando-se o despertar para esta forma ou figura de mim mesmo, não temos nenhuma base para a constituição do Caminho Búdico. Nisso consiste o Shinjin do Budismo Shin manifestado através da expressão “Namu Amida Butsu”, o que evidencia que o Budismo Shin é essencialmente Budismo.
O Caminho Búdico onde se encontrava profundamente imerso o Mestre Shinran, através e a partir da percepção de que não somos seres dignos de salvação, sobrepujou todas as eras do tempo, e está diretamente conectado aos Ensinamentos proferidos pelo Buda Shakyamuni.

[1] As Cinco Perversidades: I. Matar o pai, II. Matar a mãe, III. Matar um Mestre, IV. Derramar o sangue de um Buda, e V. Perturbar a harmonia e causar discórdia dentro da Comunidade Budista.
[2] Fé, Fé Verdadeira, Coração/Mente Confiante.
[3] Segundo o Tannishô, o "mau" para o Mestre Shinran, é aquele que, através de uma severa autocrítica, se reconhece como incapaz de atingir a perfeição através de seu próprio esforço, dadas as suas inúmeras imperfeições e limitações. Em outras palavras, o "mau" é aquele que reconhece a contingência do Ego e portanto toma consciência da impossibilidade de se atingir o Eu Real e Absoluto a partir de esforços efetuados pelo Ego.
[4] Mukon: Literalmente “sem raiz”. Aqueles que não tem "En" laços de afinidade com o Caminho Búdico.

Publicado na revista “Tomoshibi” edição março 2010

Tradução e notas: Sayuri Tyô Jun

Ajatasatru

悪人こそがすくわれる

(竹橋 太 -釋孝修)

阿闍世と言えば『仏説観無量寿経』の序分に説かれる、「王舎城の悲劇」の一方の主人公で、父を殺し、仏を傷つけ ようとした五逆、謗法の大悪人です。宗祖親鸞聖人は、『大般涅槃経』を『教行信証』「信巻」に引用して、その阿闍世のすくいを説かれて、浄土真宗の信心を 明らかにしておられます。そこで阿闍世は「一闡提」といって、「仏がすくおうと思ってもその手がかりがない者」としてえがかれています。「すくわれないも ののすくい」、つまり悪人がどのように成仏道に立てるかということが浄土真宗の信心の内容だということなのです。
『教行信証』のこの部分はまた、『仏説無量寿経』に説かれる法蔵菩薩の第十八の願の「すべての者をすくうけれども、ただ五逆と正法を誹謗したものを除く」 という言葉の意味を明かしている、と宗祖が受け止めていらっしゃいます。宗祖にとって阿闍世のすくいが自らのすくいであるということです。それは実は、同 時に自らも、すくいからもれるべき五逆と謗法のものであるという自覚に立っているということでもあります。
このような「悪人のすくい」が浄土真宗の大きなしるしであるのは間違いありません。しかし、このことは実は法然・親鸞のお二人が特別に考えられたことなの ではないのです。仏教は実はその初めから「悪人・阿闍世のすくい」を一つのテーマとしてきました。阿闍世のすくいを述べた経典がたくさんあるのです。そこ で阿闍世のすくいは「無根の信を得た」と説かれています。阿闍世の側には根拠がない信心だというのです。それはちょうど宗祖がおっしゃる「阿弥陀さまから いただいた信心」のことです。
私たちはどこかに仏がいて、それに自分がであうのだろうと考えています。「自覚」という言葉で示されるのは、善悪を自分で決め、その延長に仏やすくいをお いて疑いもしない、そういう偽りが照らし出されることです。仏とであったから悪人と名づけられる者になるのですし、また悪人であるという自覚こそが仏とで あった証拠なのです。真なるものとであうから偽であることがわかるのです。正しい教えを聞こうとも、仏になろうとも思ってもいないのが私のすがたです。そ ういう自分のすがたに目覚めること以外に、私たちに仏道が成り立つ根拠はありません。このことこそが「南無阿弥陀仏」という言葉で示される浄土真宗の「信 心」であり、仏教であるしるしなのです。
すくわれる者ではないという自覚から深められていった宗祖親鸞の仏道が、時間を超えてまっすぐお釈迦さまの説かれた教えにつながっています。

(『ともしび』20103月号掲載)

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