05/09/2015

Reflexão para os Iniciados no Budismo Shin




Mesmo depois de passar pelo Rito de Iniciação (Tomada de Refúgio nas Três Joias), que deveria em tese, ser precedida pela tomada de decisão pessoal pelo Budismo como caminho de vida, muitos budistas não conseguem incorporar ou realizar o Budismo no seu dia a dia. Essa é uma constatação que vejo tanto em iniciados como em ordenados.
Os ordenados e os leigos iniciados ou não, têm como prática central o chamado “Mompô” (escutar, ouvir com atenção os Ensinamentos). Eu sou de uma geração que teve o privilégio de poder ouvir muitos Mestres, pessoas que vivenciaram os Ensinamentos do Budismo com o próprio coração e na própria carne. Mestres que dedicaram o próprio sangue, suor e lágrimas muitas vezes sacrificando seus entes queridos e próximos, pela difusão do Budismo em terras longínquas de onde originou-se o Mestre Shinran. Nossos predecessores romperam barreiras culturais e as limitações da língua para lançar as sementes do Budismo Shin para que nós do futuro pudéssemos colher os frutos do Dharma.
Nós nos movemos dentro do Budismo amparados pelo Shinjin (Coração Confiante, Fé Verdadeira) que nos direciona ao Buda, almejando justamente tornar-nos igualmente, Budas. Esse mesmo Shinjin é que moveu aqueles que formaram comunidades, levantaram fundos e construíram templos, muitas vezes com esforço próprio, deixando-nos como legado a possibilidade de termos um local sagrado para a prática do “Mompô” e onde podemos juntar nossas mãos em gratidão e olhar para a imagem resplandecente do Buda em seu trono de lótus. 
Em tempos de tecnologia virtual, o “Mompô” inclui estudar acessando a internet (com uso do devido critério e bom senso) e formas mais tradicionais de estudo, como pesquisar lendo livros. E ritualisticamente falando, praticamos no mínimo a recitação do Shoshingê diante do altar doméstico.
Passada a euforia da Iniciação, pois é próprio do ser humano a necessidade de fazer parte de um grupo, de engajar-se solidariamente junto àqueles que têm algo em comum, passado esse tempo, detecto um certo distanciamento ou alienação do neófito, e nem levo em conta o que chamamos de “colecionador de iniciações” (dispensa comentários, não é mesmo?). Nossa Escola não prima em conversão de novos fiéis, nem cobra posturas de seus iniciados em troca de alguma graça. Os Templos realizam pelo menos 6 grandes ritos durante o ano: Akihigan (Equinócio de Outono), Hanamatsuri (Nascimento do Buda Shakyamuni), Obon (Finados Budistas), Haruhigan (Equinócio de Primavera), Hô On Kô (Ação de Graças do Mestre Shinran) e dependendo do Templo, o Jôya no Kane (Sino de passagem de ano) e Shû-Sho-Ê (Rito de Ano Novo), fora Congressos, cursos e palestras distribuídos pelos vários Templos. Em recente levantamento registrado no Japão, nossa Ordem Otani-Ha da América do sul possui 22 templos fora o Templo-matriz de São Paulo e 7 comunidades que por não possuírem locais apropriados, reúnem-se em salões de associações (Kaikan) – em termos de país continental como o Brasil, são poucos locais e somos muito poucos: 33 missionários, monges e auxiliares licenciados para ensinar. Mas me reporto novamente às dificuldades iniciais enfrentadas pelos nossos Mestres que imigraram no pré e pós guerras. Diante do esforço de tantas pessoas, será que é justo dizer que faltam oportunidades para a prática do Shinshû? Ou melhor, será que realmente temos desculpas para afirmar que não temos oportunidades para compartilhar a Água do Buda Amida?

Sayuri Tyô Jun
Buda Amida entronizado no Templo Apucarana Nambei Honganji
 

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