03/05/2016

“Gohonzon” – O Budismo Não Ensina Como O Ser Humano Deve Viver (Parte 1) 「本尊」仏教は人間がどう生きるかを教えるものではない



Texto: Rev. Takehashi Futoshi
Tradução: Revª. Sayuri Tyō Jun
Jornal Nagoya Gobô novembro/2014 - Volume 581

Nos templos budistas e em nossos Onaibutsu (Butsudan - Oratórios domésticos) há de haver algo central e imprescindível. Trata-se do Gohonzon (Ícone Sagrado), que devemos considerar como o centro de nossas existências. Podemos até mesmo afirmar que uma vida sem um Gohonzon – o Ícone Sagrado do Buda Amida, é uma vida sem um centro. Porém, nós nos limitamos a adorá-lo cegamente ou tentamos interpretá-lo com indiferença. O nosso Gohonzon do Shinshû é o Namu Amida Butsu.  Estando todos nós vivendo neste Mundo do Samsara, e por estarmos perdendo de vista o Gohonzon, é que devemos repensar o Gohonzon, como o centro da vida que vivemos.

            No Onaibutsu (Butsudan) acendemos as lamparinas e oferecemos incenso. Acendemos também velas e sentamo-nos diante do Gohonzon. Juntamos nossas mãos e primeiramente recitamos o Nembutsu: “Namu Amida Butsu”. Essa é a rotina do praticante fiel do Shinshû, no Japão.
            Eu mesmo, vinha escutando o inacreditável ensinamento do Jôdo Shinshû que afirma que basta recitar o Nembutsu para que nos tornemos Budas (念仏成仏 Nembutsu Jôbutsu - “Tornar-se Buda através do Nembutsu”). Porque recitando o Nembutsu diante do Gohonzon (Ícone Sagrado do Buda Amida), não causa em mim nenhuma transformação.

Nota da tradutora:
O Mestre Shinran declara no Jôdo Wasan na parte referente ao Grande Sutra: “Nembutsu Jôbutsu kore Shinshû” - “Tornar-se Buda através da recitação do Nembutsu, eis o Verdadeiro Ensinamento - Shinshû.”  (Jôdo Wasan - Seiten p. 485)
A mesma referência ocorre no Tannishô capítulo XII: “Os textos sagrados que esclarecem a essência do genuíno ensinamento da Terra Pura mostram que crendo no Voto Original e recitando o Nembutsu nós nos tornamos Budas”.

            No Onaibutsu temos a imagem ou a estátua de madeira que é o Gohonzon. Na tradição da nossa Escola Jôdo Shinshû, também utilizamos o Gohonzon com a inscrição Namu Amida Butsu. Tanto a imagem quanto a estátua são o Buda Amida, portanto o Namu já está ali presente. Ou seja, deve-se pensar que mesmo na imagem como na estátua o Namu está inscrito. Isso significa que quando nós realizamos o Namu, é que o Gohonzon manifesta-se pela primeira vez. Namu, significa “a cabeça abaixar-se”. Não é o “abaixar” condicionado à nossa vontade. Trata-se do instante quando nos conscientizamos de toda nossa ignorância, o quão tolos somos, e sem percebermos, nossa cabeça abaixa-se e aquiescemos: ahh, sinto muito, desculpe-me.
           
“O Mestre Shinran, alegrando-se ao receber o Shinjin - a Fé Verdadeira, ou melhor, exatamente por alegrar-se pela graça de ter recebido a Fé Verdadeira do Buda, é que ele declara: “Estou imerso no imenso mar dos desejos e amores sensuais, sem nenhuma possibilidade de vir à tona. Preso e perdido nas profundezas de uma montanha de pensamentos de “querer que pensem bem de mim”, “que me valorizem”, sem nenhuma possibilidade de libertar-me. Como é lastimável, como é triste a minha condição”.  Aqui, o Mestre Shinran exprime todo seu pesar diante da sua própria condição e maneira de ser, que o brilho da Luz do Buda iluminou, fazendo-o enxergar-se a si próprio como realmente é.”
Alegrar-se com o recebimento da Fé Verdadeira – Shinjin e o perceber-se como mau (Akunin) e um ser profano (Bonbu) não são coisas separadas. A alegria de recebermos um local como o Onaibutsu, onde nossas cabeças abaixam-se profunda e verdadeiramente, é a expressão da Fé Verdadeira a nós concedida. Esse é o aspecto exterior, a feição do Namu Amida Butsu. O encontro com Amida significa ser iluminado com a percepção de que não passamos de seres profanos (Bonbu), repletos de Paixões Mundanas (Bonnô). Não é porque somos agraciados com o Shinjin, a Fé Verdadeira, que nos transformamos em seres humanos bons.

Nota da tradutora: A referência sobre nós como seres profanos plenos de Bonnô (煩悩成就 - Bonnô Jôju) é citada pelo Mestre Shinran no Wasan dos Sete Patriarcas, referente ao Mestre Vasubandhu: “Embora os ensinamentos de Shakyamuni sejam numerosos; o Bodhisattva Vasubandhu, compadecido de nós, seres repletos de paixões mundanas, recomenda o Voto Universal do Buda Amida.” (Kôso Wasan (Tenjin) – Seiten p.490)

            Isso porque nós seres humanos, sempre acabamos “entendendo” tudo. Existe um ‘eu’ separado que acaba por entender: “Ahh, como sou Bonbu, um ser profano”. E esse ‘eu’ procura dar um jeito nessa situação e passa a buscar uma resposta. E exatamente por tomar conhecimento do próprio problema, é que surge a dúvida em relação à Sabedoria Búdica. Dentro de nós, surgem dois graus de tomada de consciência, o de Bonbu e de Buda, e procuramos desesperadamente nos colocar do lado do Buda. Assim é o ser humano, não tem jeito mesmo.
Somos perseguidos por algo como se não pudéssemos continuar a viver se não nos posicionarmos como bons.
Não se trata de qualquer outra pessoa, trata-se desse você que lê e esse eu que escreve. A questão é: Como viver? É uma questão pessoal.
Mesmo que a cabeça se abaixe, logo em seguida buscamos o correto. E novamente somos iluminados. E novamente nossa cabeça se abaixa. É uma repetição. E finalmente conseguimos realizar o Monpô, escutar o Dharma. Esse é o Mérito do recebimento do Shinjin – Fé Verdadeira.
            Assim existe um eu que não consegue transformar-se. Por isso mesmo, você é questionado: Como, de que modo você quer viver? Você mesmo é quem tem que tomar uma decisão. Não é para aproveitar-se do Dharma do Buda. Também podemos cometer erros. Despedaçamos nossos corações sempre que insistimos: “Que eu não cometa erros, que eu não erre”. Mas isso provavelmente não podemos evitar. E assim, os nossos sentimentos ficam obscurecidos. Porém, o Mestre Shinran nos ensina que nós como seres humanos, cometemos erros.
            O Gohonzon nos apresenta o Shinjin – A Verdadeira Fé recebida que nos é manifestada na forma de Nembutsu. O “Trabalho” que nós não conseguimos enxergar com nossos olhos, toma uma forma que podemos enxergar, ou seja, até toma a forma de objetos como imagens e estátuas de madeira, para nos iluminar sempre, a nós seres que nada compreendem.

Amida Nyorai - Templo Apucarana Nambei Honganji
「本尊」仏教は人間がどう生きるかを教えるものではない
文=竹橋太
名古屋御坊 201411月 Vol.581

お寺やお内仏には、なくてはならない中心がある。それは “ご本尊”。私が生きる中心ともいえることだ。“ご本尊”なき生活は中心のない生活といってもよいのではないか。しかし私たちはご本尊を妄信的にあがめたり、さめた目線で理解しようとしたりするばかりだ。
真宗のご本尊は「南無阿弥陀仏」。ご本尊を見失った我が身、我が世の中にありながら「輪転のうちにありながら」、否、そんな世にあってこそ、私が生きてある中心、我が本尊を考えていきたい。
お内仏に灯明を点し(とも)、燃香(ねんこう)をする。ときには蝋燭(ろうそく)も点し、ご本尊の前に座ります。そこで手を合わせてまず「南無阿弥陀仏」とお念仏をする。―真宗門徒の日常です。
            自分自身、不思議だったのが「念仏成仏」と聞いてきた浄土真宗の教えでした。ご本尊の前でお念仏をしても何も私は変わらないからです。
         お内仏には絵像や木像のご本尊があります。浄土真宗の伝統では「南無阿弥陀仏」などの文字で書かれたご本尊もあります。絵像や木像は「阿弥陀仏」ですから、「南無」という文字がさらに付いていることになります。ですから実は絵像や木像にも「南無」がついていると考えなければなりません。それは、私たちが「南無」して、はじめてご本尊となるということです。南無と
は「頭が下がる」ということです。自分の意志で下げるのではありません。自分の愚かさに気づいたとき思わず、ああごめんなさいと頭が下がるその瞬間のことです。
         親鸞聖人はご信心をいただいたことを喜びながら、そうでありながら、いやそうであるからこそ、「私は愛欲という広い海に沈み込んで浮かび上がることもない、『人に良く思われたい』『評価されたい』という想いの深い山に迷い込んで出ることもない。いたましいことだ、悲しいことだ」と仏の光に照らされた自らのあり方に悲歎(ひたん)を述べておられます。ご信心を喜ぶことと、悪人・凡夫の自覚は別のものではないのです。本当に深く頭が下がる場所をいただいた喜びがご信心であり、その姿が「南無阿弥陀仏」なのです。阿弥陀さまと出遇い、自分は煩悩成就の凡夫以外の何物でもないと照らし出される。ご信心をいただいたからといって、私たちは善い人間に変われるのではありません。
         というのは人間はいつでも「わかって」しまうからです。「ああ自分は凡夫なのだ」そうわかってしまう自分が別にいます。そしてそれを何とかしようとします。答えを求めるのです。自らの問題を知ったからこそ起こる「仏智疑惑 ぶっちぎわく」です。自分の中で凡夫と仏の二役を行い、なんとか仏の側に立とうとする。そういうふうに人間はできています。どうにもならないのです。私たちは善に立たなければ生きていけないように何かに追われています。誰でもありません。今これを読んでいる「あなた」、これを書いている「わたし」のことです。それが「どう生きるか」、という問題であり、自分の問題です。頭が下がっても、次には正しさを求める。それがまた照らされる。頭が下がる。その繰り返しです。ようやく聞法ができるようになる、それがご信心の功徳です。
            そういう変われない自分がいる。だからこそ、あなたはどう生きたいのか、と問われるのです。自分で決めるのです。仏法を利用するのではありません。間違えることもあるでしょう。間違えないように、間違えないようにと私たちは心をくだいています。それは多分やめられません。そうすると暗い気持ちになるのです。しかし、人間は間違えるものだ、と親鸞聖人は教えてくださっています。
         ご本尊は私たちが、そういうご信心を、お念仏というかたちで示せるようにしてくださっています。目に見えないハタラキが、目に見える形に、つまり絵像や木像というモノにまでなって、何も変わらない私を常に照らしてくださっているのです。

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