10/10/2016

A afirmação de sermos falsos – Questionando o fato de sermos humanos 「偽りである」ということ―人間であることを問う




Texto: Rev. Futoshi Takehashi - Pesquisador do Instituto de Estudos Budistas
Tradução e notas: Sayuri Tyō Jun



 “Eu realmente compreendi, que infelizmente eu Gutoku Shinran, - o Néscio Tonsurado, estou afundado no vasto oceano de desejos e apegos, perdido na enorme montanha dos lucros e das honrarias. Não me alegro nem por entrar no grupo dos Firmemente Estabelecidos e nem por estar me aproximando da Verdadeira Iluminação. Quão vergonhoso, quão doloroso é! ”

(Shinshû Seiten – Shin no Maki p. 251)


Reiterando as palavras do Mestre novamente:
“Verdadeiramente, eu soube pela minha própria experiência. Infelizmente eu, o Néscio tonsurado Shinran, estou imerso no vasto mar dos desejos e amores sensuais, desnorteado e perdido na imensa montanha de anseios por fama e riqueza. Sequer penso em alegrar-me por adentrar no grupo daqueles em que lhes foi prometido tornarem-se Budas na Terra Pura. Nem penso em quão agradável é aproximar-me da Verdadeira Iluminação. Que vergonha! Que tristeza! ”

Assim disse o Mestre Shinran.
             Estas são palavras do Patriarca Fundador da nossa Ordem, o Mestre Shinran, aquele que foi salvo pelo ensinamento do Nembutsu. Ele nos declara algo completamente diferente daquilo que comumente pensamos. “Fugir das condições impostas”, “tornar-se uma boa pessoa”, “viver uma vida maravilhosa”, achamos que nessas situações é que encontramos a verdadeira “salvação”, não é mesmo?

O que é essencial deixar bem claro aqui, é que o ensinamento do Budismo, mais propriamente do Budismo Shin, não pode ser considerado um ensinamento de como se deve viver, ou ainda, o ensinamento que ao ser escutado, nos torna bons seres humanos. Trata-se do ensinamento que questiona propriamente o fato de se ser um ser humano. Penso que esse é o ponto que diferencia o Budismo da Moral e da Ética.

Nós reformamos a sociedade e progredimos em busca da felicidade. Nossa vida tornou-se realmente muito mais prática e conveniente. Graças a isso, podemos encerrar o dia sem precisar falar com uma pessoa sequer. Os idosos passaram a conseguir viver totalmente sozinhos em seus apartamentos.

E com tudo isso, será que nos tornamos mais felizes? Me parece que não é bem assim. Algo está errado. Será que poderíamos afirmar que quanto mais o ser humano exercer toda essa comodidade disponível, nossas vidas se voltam rumo à um bom direcionamento? Será que não vivemos até agora equivocados, pensando desta maneira?

Conforme as palavras do Mestre Shinran no início deste texto, o Budismo ensina-lhe como ele próprio é um ser falso [1]. Afirmar que se é falso só é possível através do encontro com os Ensinamentos do Budismo. Ou seja, o falso somente passa a existir quando é iluminado pela Verdade. Portanto, é muito triste ser falso, mas é neste momento que surge também a alegria em poder se encontrar com o Ensinamento do Budismo. Não há que se falsear a si próprio, esta sua vida é tão somente você mesmo. Você é esta vida. Assim concluiu o Mestre.


Nota da tradutora [1]: O autor não se refere a falso como desvio ou falta de caráter, desleal ou hipócrita, mas falso no sentido de não verdadeiro, sem correspondência com a realidade, uma imitação ou mesmo uma mentira.


O ser humano, mesmo compreendendo que é falso, logo volta a viver se auto afirmando. E fundamenta toda sua própria existência como ser humano, nessa sua autoafirmação. Todavia, não seria exatamente por isso que é possível realizar o Mompô – escutar o Dharma?  Pelo fato de sermos seres falsos é que vivemos e provocamos sofrimento e tristeza. Para aqueles que já se consideram salvos, não há nada mais para ser escutado. Me é ensinado que a Salvação compatível apregoada pelos Ensinamentos do Shinshû, é tornar claro que sou um ser com um corpo que necessita, que não pode deixar de escutar os Ensinamentos do Budismo.

Nosso Patriarca Mestre Shinran, depois destas suas palavras, cita a história da salvação de Ajase (Ajatasatru). O Príncipe Ajase, foi aquele elencado no Voto Universal de Hôzô Bosatsu (Bodhisattva Dharmakara) como “os que não podem ser salvos devido ao cometimento das Cinco Perversidades”[2].  Ajase teve a autoconsciência de que é ele quem cairia nos Infernos, que ele jamais poderia ser salvo. E o Buda Shakyamuni disse-lhe que este é o ponto onde se localiza a salvação. E quem pôde ouvir estas palavras do Buda com profundo sentimento de gratidão, foi nosso Patriarca o Mestre Shinran. O ser falso, mesmo que ele próprio pense sobre a sua salvação, isso não surte nenhum efeito para ninguém.



Nota da tradutora [2]: Cinco Perversidades: I. Matar o pai, II. Matar a mãe, III. Matar um Mestre, IV. Perturbar a harmonia da Comunidade Budista e V. Derramar o sangue de um Buda.



Publicado na Revista Tomoshibi – julho/2008





Mestre Shinran

「偽りである」ということ人間であることを問う


(竹橋 太 教学研究所所員


誠に知りぬ。悲しきかな、愚禿鸞、愛欲の広海に沈没し、名利の太山に迷惑して、定聚の数に入ることを喜ばず、真証の証に近づくことを快しまざることを、恥ずべし、傷むべし、と。(「信巻」・聖典二五一頁)

ほんとうに身をもって知った。悲しいことに、この愚禿親鸞は愛欲の広い海に沈みこんでしまい、名利の大きな山に踏み惑って、浄土で仏になることが約束された人々の仲間に入ることをうれしいとも思わないし、真実のさとりに近づくことを快いとも思わない、恥ずかしいことである、かなしいことである、と。 これがお念仏の教えによって、すくわれた宗祖親鸞聖人の言葉です。私たちの思いとまったく違ったことが述べられています。ここにあるような状態から逃れ、善い者になる、素晴らしい生き方をする、それが私たちの思う「すくい」でしょう。 はっきりしておかなければならないことは、仏教・真宗の教えは、どう生きるかを教えるものでも、あるいは聞いて善い人間になるというものでもないということです。人間であることそのものを問題にする教えなのです。それが道徳や倫理と違うところだと思います。 私たちは幸せを求めて社会を改革し、進歩させてきました。本当に便利な世の中になりました。おかげで一人の人と話すこともなく、一日を終え、生きることができるようになりました。老人はマンションで独りで暮らせるようになりました。それで私たちは幸せになったのでしょうか。そうではないように思います。何かが違っています。それでは、もっと人間を鍛えれば、世の中はよい方向に向かうのか。いままでもそう思ってずっとやってきたのではなかったでしょうか。 先の言葉のように、宗祖は自らが偽者であることを、仏によって教えられています。偽者であることは、仏の教えに出会わなければ言えないことなのです。つまり偽は真に照らされることによってのみ存在するのです。だから偽者であるということは悲しいことだけれど、そこには教えに出会えたという喜びもあるのです。自分で自分を偽ることなく、この生こそが自分である、と。それなのに、それをまた自分の存在の根拠にして自己肯定して生きるのが人間です。 しかし、それだからこそ、聞法ができるのではないでしょうか。偽者であるから苦しみ悲しみを起して生きるのです。すくわれていると思っている者は聞くということがありません。聞かねばならない身であることがはっきりする、それが真宗における「すくい」であると私は教えられます。 宗祖は、この自らの言葉の後に、阿闍世のすくいの物語を引用されます。阿闍世は法蔵菩薩が誓願で「五逆の者はすくわない」と言われた、その者です。阿闍世は、すくわれない、地獄に堕ちるのが自分だと自覚します。それがすくいだとお釈迦さまは言われます。その言葉を有り難く聞かれたのが宗祖親鸞聖人です。偽者が自分ですくいを考えてもそれは詮のないことなのです。
(『ともしび』20087月号掲載)

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