26/11/2016

“Para tornar-se um monge, antes de mais nada você tem que ser um bom praticante”

“Para tornar-se um monge, antes de mais nada você tem que ser um bom praticante”, é uma frase recorrente do Rev. Wagner Haku-Shin, para aqueles que pleiteiam entrar para o caminho monástico da nossa Escola Shinshû Otani-Ha. Aliás, é um sábio conselho que os requerentes deveriam efetivamente praticar, antes de permitir que o ego credite-lhes que é tão bom praticante que deveria alçar o próximo degrau e passar para a fase seguinte, a Ordenação.
Mas hoje, o meu ponto é sobre a palavra praticante. Particularmente, em minhas traduções gosto muito da palavra ‘fiel’ e faço mais uso dela do que ‘praticante’, que me remete mais à palavra ‘gyôja’ 行者 de ‘shugyôsha’ 修行者 (aquele que se dedica às práticas ascéticas do Budismo, principalmente os Yamabushi 山伏 do Shugendô 修験道). Em japonês, assim como em português, temos várias palavras possíveis para praticante, crente, fiel, ou devoto.
‘Shinja’ 信者 (aquele que crê em uma religião, membro de uma associação religiosa), ‘shinto’ 信徒 (adepto, seguidor, devoto, discípulo), além de palavras semelhantes como ‘shûto’ 宗徒 e ‘shinpôsha’信奉者.
Mas minha palavra preferida é ‘monto’ 門徒 (tanto o fiel, o discípulo e o monge que pertencem a uma determinada Escola Budista). A palavra ‘monto’ nos dicionários, especifica o fiel do Jôdo Shinshû. O Kanji ‘mon’ 門 significa entrada, casa, clã, família, grupo, Dôjô, local onde se aprende, onde nasce tudo, ponto primordial, portal. E o Kanji ‘to’ 徒 significa caminhar, vazio, descalço, desprovido, trabalhador braçal, categoria militar de soldado que não monta a cavalo, discípulo, servo, criado, empregado, caminhante, prisioneiro, condenado, inútil, em vão, pessoa comum, travesso, malandro.
Logicamente, poeticamente a palavra ‘monto’ 門徒 designa aquele (discípulo) que caminha para adentrar os Portais do Ensinamento (Budismo), sem distinção entre leigos e monges, onde todos somos discípulos e aprendizes.
Em português, como já disse, gosto mais da palavra ‘fiel’ do que praticante, devido aos seus desdobramentos como fidelidade, fidedignidade. Pois implica em compromisso, uma aliança com o EN de ter se encontrado com os Ensinamentos do Shinshû.
Altar Shinshû do Rev. Jean Tetsuji

Sayuri Tyō Jun

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