21/03/2017

Rito de Equinócio de Outono – 19/03/2017 秋彼岸 2017年3月19日



Sejam todos bem-vindos a esta cerimônia de Equinócio de Outono. Excepcionalmente, hoje estou substituindo o Superior deste Templo, que foi convocado para assumir alguns compromissos em nossa matriz em São Paulo.

Existe um ditado em japonês que diz que por mais calor ou mais frio que se faça, só persiste até o equinócio. E isto pôde ser percebido de ontem para hoje. Pois depois de dias seguidos de muito calor, hoje amanheceu bem mais frio.

Esta cerimônia tem como ponto central, nossa homenagem àqueles que partiram antes, os nossos entes queridos já falecidos. A palavra “higan” não significa equinócio. Ela significa “a outra margem”. Ou seja, nós aqui, vivemos no mundo Saha, o mundo da ilusão, das paixões mundanas. E a outra margem representa a Terra Pura, o mundo dos Budas e Bodhisattvas, e para onde nossos falecidos se dirigiram.

Já estamos neste templo há 17 anos e tenho guardado na lembrança a passagem de muitas pessoas, pessoas que fizeram parte desta comunidade, seus familiares e amigos. Todos encerraram suas vidas e partiram deixando suas marcas. A separação é sempre dolorosa. Mas este é o caminho que trilhamos. Eu costumo dizer que à medida que envelhecemos, mais aumenta o número de parentes e amigos de quem nos despedimos, nos separando por ocasião do falecimento. Mais do que nascimentos, contabilizamos mais mortes em nossas vidas.

Desde o começo do ano, já ocorreram alguns ritos fúnebres neste templo. Em janeiro e fevereiro duas pessoas da comunidade de Mauá da Serra faleceram deixando ainda vivos, os seus pais. Os pais sobreviveram aos seus filhos, tendo que realizar seus ritos fúnebres e enterrá-los. Nessas horas me lembro das palavras da Carta da Ossada Branca do Mestre Rennyô, que diz que quando sopra o Vento da Impermanência, não há distinção nem entre jovens e velhos. Costumamos pensar que o normal é que os filhos enterrem seus pais idosos, mas nenhum de nós faz ideia de até quando sobreviveremos, por isso, pode ocorrer sim, dos pais estarem presentes no funeral de seus filhos. Talvez não haja pior dor do que uma mãe, um pai perder um filho. Este é o significado da Impermanência, ou seja, nada é óbvio e certo, de nada adianta planejar antecipadamente querendo controlar os acontecimentos, pois nada ocorre conforme pensamos que deveria ocorrer.

Hoje, nesta cerimônia de Ohigan, vocês trouxeram os Ihais – tabuletas memoriais das pessoas queridas falecidas e nós os colocamos no Altar lateral. Nesta oportunidade nós homenageamos e nos lembramos deles, oferecemos incenso, juntamos nossas mãos e participamos deste rito de todo coração.

Há alguns dias, uma jovem questionou o seguinte: a quem é destinado os ritos fúnebres, as cerimônias budistas, os ofícios memoriais? Quem é beneficiado? Os vivos ou os mortos? Este é um ponto que gostaria de pensar um pouco com os senhores.

Atualmente no Japão, há um movimento de pessoas que acreditam que não há necessidade de se realizar ritos fúnebres, de se fazer funerais, por conta de que são dispendiosos e trabalhosos. Ou seja, custa muito dinheiro.

No Budismo, costumamos fazer uma analogia da morte dizendo que quando deixamos este mundo de sofrimentos, tomamos um barco que nos leva diretamente à Terra Pura, atravessamos esta margem para a margem de lá, que é a representação do nosso rito de hoje. Portanto, o rito fúnebre é o momento que temos para ir nos despedir do familiar, do amigo ou conhecido que parte para uma longa viagem, a derradeira viagem para a Terra Pura. É o último adeus que damos nesta terra impura, neste mundo, pois aqui, não nos encontraremos mais. É como ir nos despedir no porto - como os imigrantes fizeram antes de partir para o Brasil - de nossos parentes queridos, pais, filhos, netos que partem para a Terra Pura. E se esses mesmos entes queridos estivessem partindo e nos esperando no porto para as últimas despedidas e nós não aparecêssemos? Não seria triste? Essa é a representação, o simbolismo do rito fúnebre.

Nós aqui do templo, presenciamos um sem número de despedidas, como disse anteriormente, quanto mais envelhecemos mais pessoas nossas conhecidas, partem para a Terra Pura, há mais mortes do que nascimentos entre nós. Quando ocorre um falecimento na família, os que restaram sentem uma necessidade muito grande de ‘fazer algo pela pessoa falecida’. E assim chamam o monge para recitar os Sutras, oferecem incenso e juntam as mãos em gasshô. Esta é a maneira da família se despedir do familiar que faleceu. É a oportunidade de agradecer a vida dessa pessoa e seu esforço. Nos confortamos com a promessa de nos reencontrarmos em um mundo melhor.

Assim, a questão não é para quem ou por quem realizamos as cerimônias budistas. Tanto faz. Todos nós, um dia atravessaremos para a outra margem. Não sabemos quando. Uns vão antes, outros depois. Somos nós que nascemos, vivemos e morremos neste mundo Saha, no mundo Ilusório, desta margem. Nós, como seres humanos, do nascimento até a morte, estamos constantemente mudando. Hoje estamos bem com boa saúde, amanhã nos sentimos mal. Hoje somos jovens, amanhã envelhecemos. Hoje estamos felizes, amanhã infelizes. Hoje brigamos, amanhã fazemos as pazes. Conforme ainda a Carta da Ossada Branca, nossos rostos que pela manhã ostentam faces rosadas como a de um pêssego, ao entardecer, pode estar transformado em uma ossada branca.

O que não muda é o Buda. Amida é permanente e sua Sabedoria é infinita. Portanto, hoje podermos estar aqui reunidos, juntando nossas mãos, tudo é em função de nós, dos vivos e dos falecidos. Porque no centro de tudo está Amida. Quem nos chama é Amida. Nós pensamos que viemos hoje até aqui, realizamos esta cerimônia para, e em função das pessoas já falecidas, mas na verdade, esta é uma oportunidade dada a nós que tivemos as condições necessárias para que estejamos aqui e para que pudéssemos realizar este rito.

Fazer e nos ser permitido fazer são coisas diferentes. Quando dizemos que ‘fazemos’ algo, está contido a nossa capacidade de realizar, de poder fazer. Pensamos que: Eu é que posso, consigo. Eu é que vim ao templo. Eu é que realizei este rito. Então eu é que possibilito a ida do meu ente querido falecido para a Terra Pura. Os que não me são queridos, estes que vão para o inferno. Ou ainda, se eu fizer os ritos, ganho algo em troca, tenho vantagens, se não fizer terei azar, atrairei infelicidade ou eu e meus parentes cairemos no inferno, é só egoísmo manifestado. Já quando digo que ‘me é permitido, me é concedido realizar este rito’, são palavras do Buda. É o Buda afirmando sua presença.

Por fim, para os senhores que vieram e participaram desta cerimônia, só tenho palavras de gratidão. Mas para nós, fieis do Shinshû, a questão ‘não é para quem realizamos os ritos, ou quem se beneficia com as cerimônias’. Beneficiar-se de algo é um sentimento egoísta, que nos leva a pensar que se tenho vantagem, eu faço, se não tenho vantagem nenhuma e nem serei castigado, e meus parentes mortos não cairão no Inferno, então não há necessidade de se fazer nada.

Se mesmo assim, sentirem-se inquietos, gostaria que relessem as palavras do Ekô - Transferência de Méritos: “Que, através destes méritos/ Possamos beneficiar igualmente a todos/ Para que seja despertada a Mente Búdica de todos/ E para que possam ir-nascer na Terra da Paz e da Alegria.” Ou seja, os benefícios alcançam todos os cantos e todos os seres viventes, essa é a Graça do Buda Amida. Não somos nós que com nossas forças beneficiamos os outros, é pela Força de Amida, através do Nembutsu, que todos são beneficiados.

Voltando ao pensamento inicial daqueles que acham que não há necessidade de ritos fúnebres nem cerimônias, eles são levados a pensar desta maneira por acreditarem que não há nada depois da morte. A morte é o fim de tudo. Mas para nós fieis do Shinshû, acreditamos que morrer significa ir para a Terra Pura pela Graça do Buda Amida. Portanto do que pensar que somos nós que fazemos, na verdade é Amida quem nos proporciona, que nos permite realizar. Ao mesmo tempo que nós estamos aqui juntando nossas mãos em reverência, os nossos entes queridos já falecidos estão na Terra Pura, realizando o mesmo gesto de reverência, estamos todos juntos irmanados na Luz de Amida.

Muito obrigada pela presença e plena atenção. Gasshô




こんにちは。忙しいところに、2017年のアプカラナ南米本願寺の秋のお彼岸法要へようこそ。昨日は Acea (アプカラナ文化教育協会)のスキヤキ会でご苦労様でした。皆さん疲れていますはずですが、それでもわざわざお寺まで来られてどうもありがとうございます。

さて、もう秋の時期が近寄ってきましたね。夏は暑かったです。ようやく、これからは涼しくなってくるでしょう。今年こそ「どんな暑さも寒さもお彼岸まで」という諺を感じましたね。昨日まで暑かったが、今朝は急に涼しくなりました。

季節が変わると、私たちの気持ちも同じに変わってくるでしょう。



お彼岸について、この時期には先立った、亡くなられた方を中心する法要です。皆さんはもうご存知と思いますが、この娑婆世界から向こう岸のお浄土へ渡っていくことがお彼岸の表現です。

このお寺でもうお蔭様で17年間も生活してきましたので「あの人もいました、この人もいました」それぞれ思い出に残っています。みんな一人ひとりが人生を尽くして人生を終えて、寂しく別れていきます。これが、私たちの歩む道です。ここで、もう言いましたことがありますが、私たちは年を取っていくほど、死に別れる親戚や知り合いや友達の数が増えていきます。生まれてくるより、死んでいくほうが大勢ですね。

年が明けて、一月からお葬式お勤めさせました。そこで、一月と二月の葬儀で亡くなられた方にはまだ御両親がいました。お父さんとお母さんを残して亡くなられたということです。白骨の御文の中に「無常の風が吹くと、お年寄りでも若者でも、同じ、残された家族の方は吹き飛ばされるように死に別れていきます」。普通には子供らが親の葬式するのが「当たり前」だと思いますが、私たちの人生なんていつ終わるか知らずに、親が子供の葬式することもあります。親としてこんな耐えられない悲しさなんてございません。これが「無常」当たり前のこと、前もって決めても、自分の思うとおりになるということはありません。ということです。

こうして、今日のお彼岸法要に皆さんがお大切なお位牌さんを持ってこられて、こちらに飾られています。みんな亡くなられた方を思い出して、みなさんがお焼香されて、心こめて、手を合わせてお参りされました。

で、このごろ聞かれますのが、お葬式や今日のようなお彼岸法要にお参りするのは誰のためにしますか。と。皆さんと少し考えてみたいと思います。

現在の日本では葬式など必要ないという人がいます。しかし、死んでこの世からお浄土へ渡ることは船に乗って向こう岸にあるお浄土へ行くことが葬儀を表現されています。ですからお葬式とは私たちが亡くなれた方を港でお浄土へ行かれる親戚や友達を見送ることを表しています。この世ではもう会えない最後の別れです。ですから大切な親戚、親や子供や孫でもお浄土まで遠い旅を立つのに、だれも見送りにいかないことには大変寂しいことです。

こちらは、お寺のもので、お葬式は先ほど言いましたが、年を取ると生まれてくるより、死んでいく者が多いのです。とにかく、家族の中で誰かが亡くなると、残された者は、何か、亡くなられた人に何か「してあげたい」という思いになります。ここでお坊さんを呼んで、お経をあげて、お焼香して、手を合わすのです。これはこの世をたっていかれる方と最後のお別れです。ご苦労様でしたと言える機会です。私たちをなぐさめ、またよい世界で会いましょうというの約束ですね。

ですからお参りは誰のためにしますかとは、実は問題は「誰のためにか」ではありません。これはどっちでもいいんですよ。みんな誰でも向こう岸へ渡る時が来ます。先に行くか、後に行くかは知りません。この娑婆世界で生きて死んでいくのは、私たちです。人間は生まれてから死ぬまで変わっています。今日元気で明日具合悪い、今日は若い顔で、明日は年取った顔、今日は幸せ、明日は辛い、昨日はけんかして、明日は仲直り。御文のとおり、今朝は桃のような肌、夕方は白骨。

絶対変わらないのは仏さん。阿弥陀様です。ですから、こうして私たちが会えて、手を合わすのは全部、亡くなられた方も私たちのもためにもなります。なぜかと、中心は阿弥陀様がいますからです。私たちを呼びかけてるのは仏さまです。私たちはお寺まで足を運んで来て、亡くなられた方のためにお参りしているつもりです。と思いますが、実は「お参りさせています」なんですね。

「する」と「させる」に大きい違いがあります。「する」には「される」ということが含まれてあります。自分ができる、自分がお寺へ行く、自分がお参りする。と。私たちは普通思っています。ですから、自分の亡くなられた親戚や知り合いはお浄土。あの憎たらしいやつらは地獄へ。となってしまうんです。亡くなられた方へ供養やお参りすると自分がなにか得する、しないと罰当たる、不幸になる、自分も死んだものも地獄に落ちるとか。わがままばかりです。

だけど、「させる」というのは仏の言葉です。「お参りをさせていただいてます」のは自分の力は抜けています。ですからさせるのは阿弥陀様です。

最後に、お参りに来られた皆さんには心から感謝を申し上げますが、「お参りするのは誰のためになるのですか」の問題は信者として関係ないことです。「ためになる」というのは人間のわがままな心です。なにか得するなら、します、得しない罰も当たらない、亡くなった親戚が地獄に落ちないなら、する必要ない。となってしまいます。

それでも皆さんがなんか物足りない、はっきりしない気でしたら、お参りの最後にある「回向」を読んで下さい「願似史功徳 平等施一切 同発菩提心 往生安楽国」と。ですから、今日のお参りされた功徳は生きている一切、一切衆生へ届かれるようにと願われています。私たちが願っているのではなく、仏さまから願われています。私たちは念仏をとおして願われています。

または最初に言いました、お葬式する必要ないという考えにもどりますが、この「必要ない」というのは、死んでからなにもない、お終いという考えにつながっています。しかし、真宗門徒である私たちには、亡くなって、必ず阿弥陀様のお力でお浄土へ行かれる信心は「お参りする」ことより、「お参りさせる」ことをいただいています。私も亡くなられた方も同時にお参りさせられて、手を合わせていますのです。どちらも阿弥陀様から無限の光に照らされていますことです。



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