24/04/2018

Antes que morramos 死ぬ前に

   Por esses dias tivemos notícias de uma pessoa que não vemos há muitos anos. Trata-se de uma senhora já de idade e que se encontra muito adoecida. Imediatamente sobreveio a vontade ou necessidade de revê-la “antes que ela morra”. A princípio pode parecer uma atitude louvável, pois ir até ela agora “que está quase morrendo” é a última chance de poder agradecer-lhe os cuidados e a atenção que nos dispensou quando era mais jovem e manifestar nosso carinho e respeito. Mas porque deixamos tudo para a última hora?
   Vejo muitas mensagens circulando nas redes que falam da necessidade de agradecer e rever as pessoas que nos são caras, enquanto estão vivas. Não deixar para o último momento o derradeiro reencontro. Mas nos limitamos a nos comover momentaneamente e replicar a mensagem, como se assim nos eximíssemos temporariamente da obrigação. 
   Portanto se quer mesmo demonstrar o quanto uma pessoa é importante, faça enquanto estamos todos vivos. Mande flores às pessoas vivas, pois depois de mortas elas não apreciarão as coroas de flores que enviamos no funeral (pois estarão embevecidos com a beleza incomparável das flores da Terra Pura). Sabemos que o conselho é válido, mas as atribulações diárias tomam tanto do nosso tempo e se mal damos conta de nós mesmos e das pessoas que estão ao nosso lado, quem consegue lembrar-se daqueles que estão mais distantes e que passaram por nossas vidas durante um período, mas depois nos distanciamos?
   Meu professor no Japão relatou-me um fato semelhante. Quando soube que um colega teve um diagnóstico de câncer, foi logo visita-lo. Formaram-se na mesma faculdade e não se viam há muito tempo, mesmo ambos morando em Kyôto. Como monges budistas, despediram-se afirmando que nada mais restava a não ser entregar-se nas mãos de Amida, confiando plenamente. Quando meu professor pensou em visitar o amigo novamente, foi surpreendido com a notícia do falecimento. E o último encontro só ocorreu nos ritos fúnebres do amigo.
   Tomamos consciência da nossa própria finitude através da morte de pessoas que conhecemos, pessoas que fazem parte do nosso dia a dia, pessoas que amamos. E nos solidarizamos com os que estão na iminência de partir e queremos rever, reencontrar, confortar. Mas queremos na verdade, é nos rever, nos reencontrar, nos confortar diante do inevitável caminho que cada um de nós percorrerá um dia. Queremos ser retribuídos quando chegar a nossa hora, assim como fomos ver os que estavam morrendo. No fundo não é altruísmo, é egoísmo, enfim, é ser humano. 
   Nós deveríamos pensar em rever as pessoas que consideramos, não “antes que morram”, mas sim reencontrá-las “antes que nós mesmos morramos”. Seria mais simples e eficiente, ou uma atitude “mais budista”.
Sayuri Tyō Jun

 
最近、昔からの知り合いで、大変お世話になりましたおばあちゃんからの通知が届きました。高齢でいつお浄土へお還りしますか分かりませんようです。お礼を申し、感謝を表しに、ご苦労様でしたというためにお会いしたいと思いました。私たちはそのおばあちゃんにお見舞いへ行くことに決定し、「いざ死ぬ前に会いに行くべき」と心で思いながら、口にしないばかりです。
しかし、大切な人なら何故会いに行かれないのでしょうか。日々の忙しさに巻き込まれて、「暇がありません」と。言い訳ばかりなんですが。

そんな大切なひとには、生きてるうちにその大切さを本人へはっきり表すために花束でも送りなさい。亡くなって、お葬式に供花の花輪は死者から喜ばないはずです。お浄土の華の美しさには比べられないでしょう。

日本の恩師から教えていただきましたことです。先生の大学時代の同級生のお友達がガンで亡くなりました。同じ京都にお住まいですが、長い間会えなかったのです。お見舞いに行かれて、「おまかせだね」とお互いのお別れの言葉でした。葬儀でしか最後のお会いできました。寂しいですね。

 私たちは他の死から自分自身の死に対面できます。死はほかのひとから教えてもらいます。大切のひとには是非亡くなる前に会いたいことです。しかし、慰めるより、自分を慰められる、自分を見直し、真の自分を発見するのが絶対人生の終える道を歩んでいることに気付かせるために会いにいきたいです。人間は死ぬ前に生き残るひとから報われたいのです。ですから、普段な「大切なひとが死ぬ前に会いにいく」表現より、「自分が生きてるうちに大切なひとに会いにいく」のが正しく、真宗門徒の生活にふさわしいのではないかと考えさせています。


釋尼澄純


22/04/2018

A Árvore do Budismo

Uma árvore não surge do nada. Ela já foi uma semente que encontrando as condições favoráveis para seu desenvolvimento, cresceu, fortaleceu-se, enraizou-se e expandiu seus galhos, lançando suas sementes através de seus frutos.
Assim também é com o Budismo, se almejamos que a árvore do Budismo cresça, floresça e frutifique, devemos plantar as sementes em solo fértil, regar e preservar. Talvez não sobrevivamos para ver seus frutos, mas não é para nós que devemos plantar a árvore. Entre a semente plantada no presente até a árvore do futuro existe um lapso de tempo que enquanto o presente não se tornar passado, a árvore não existe. E é neste espaço de tempo que temos que trabalhar e atuar protegendo a Doutrina.
Que possamos ensinar o correto Dharma agora, para que nossos filhos e netos possam desfrutar no futuro, de todas as benesses da árvore do Budismo. E assim possam dar continuidade ao Caminho, assim como nossos Mestres e predecessores fizeram.

Sayuri Tyō Jun
Foto: Sakura - Kyôto

「正師を得ざれば学ばざるに如かず。」道元禅師

「正師を得ざれば学ばざるに如かず。」道元禅師
“Ter um verdadeiro Mestre, equivale tão somente a aprender”. Dôgen Zenji (1200-1253)
Sem estudar sob orientação de um verdadeiro Mestre, é o mesmo que não estudar nada. São palavras do Mestre Dôgen que afirmava que a coisa mais importante na prática budista, é ter um Mestre orientador correto e bom. Em sua obra Gakudôyôshin-shû ele disse que é imprescindível buscar um Mestre verdadeiro, pois é difícil recuperar-se ao ser orientado incorretamente por um mau mestre. Um Mestre é um patrono de nossas vidas, devemos busca-lo com a mesma diligência que procuramos nossa verdadeira vocação na vida. Encontrar um verdadeiro Mestre, mesmo que decorrente de um único e rápido encontro proporcionado pelo En, é um tesouro para se levar durante a vida inteira e deve ser motivo de muita honra. Aqueles que almejam com o coração disposto a aprender junto a um Mestre verdadeiro, inevitavelmente encontrará seu Mestre a quem dedicará imenso e permanente respeito.

Sayuri Tyō Jun