25/09/2018

Capítulo 1 - O que é o Hongan? - Retroagindo às Origens – O Desenvolvimento de uma Nova Expressão 第一章 本願とは ― 根源への遡及・新たな表現の展開


第一章 本願とは ― 根源への遡及・新たな表現の展開

Capítulo 1 - O que é o Hongan? - Retroagindo às Origens – O Desenvolvimento de uma Nova Expressão

Texto: Rev. Futoshi Takehashi 
Tradução: Sayuri Tyō Jun
In: Shinran 

           Foi somente no final do século 18 que se iniciaram na Europa as pesquisas mais sérias sobre o Budismo, após a descoberta de antigos escritos em sânscrito na Índia. Nessa época, em que era colônia da Inglaterra, imaginava-se que a Índia era um território primitivo, e foi com grande espanto que se redescobriu a Índia da antiguidade. E após a Restauração Meiji (1868) foram introduzidas no Japão as pesquisas europeias denominadas de Estudos Modernos do Budismo.

            Originalmente os pesquisadores ocidentais do Budismo, concentravam-se na coleção de Sutras contendo os sermões do Buda chamado de Ágamas (japonês: Agon-Kyô 阿含経), remanescentes na Índia e no Sri Lanka, estendendo-se aos Sutras Sthavira. Nessa época, considerava-se que o Mahayana e o Budismo chinês e japonês não pertenciam ao ramo original do Budismo.  O Budismo do Japão também recebeu a classificação de Budismo Daijô Hibussetsu (大乗非仏説). *


Nota do autor: *Daijô Hibussetsu é o movimento que critica os Sutras Mahayana, afirmando que não foram palavras proferidas diretamente pelo Buda Shakyamuni, portanto o Mahayana não poderia ser considerado Budismo. No Japão, no Período Edo, o estudioso Nakamoto Tominaga (1715-1746), influenciado por essas críticas e abonando-as, iniciou essa tendência de pensamento. Desde o início, os próprios Sutras Mahayana sofreram críticas. Na Era Meiji, o pesquisador da Ordem Otani, Rev. Senshô Murakami (1851-1929), como professor na Universidade Teikoku de Tôkyo, valendo-se de sua confiabilidade como estudioso, também defendeu a não originalidade dos Sutras Mahayana e diante da grande repercussão, perdeu temporariamente seu registro monástico, sendo afastado de suas funções no seu templo-raiz. Porém, mesmo afirmando-se que os Ágamas sejam uma compilação das palavras proferidas pelo Buda Shakyamuni, as estimativas mais antigas não remontam a mais de 200 anos após o falecimento do Buda. Os atuais Ágamas estão escritos em língua páli, mas foram traduzidas. E após 100 anos do falecimento do Buda, o Sangha dividiu-se em duas grandes correntes: Jozabu 上座部 ou Sthaviravāda e Daishubu 大衆部 ou Mahāsāṃghika.  Cada qual difundiu de forma original e própria os Ágamas.

O atual remanescente em língua páli dos Ágamas foi transmitido a partir de um dos ramos do Sthaviravāda. As pesquisas concentram-se atualmente em descobrir qual parte dos Sutras é mais antigo. Porém, a seção considerada mais antiga é a que mais se aproxima do pensamento indiano da época, dificultando a apreensão de características distintivas do Budismo. Em última análise, penso que devemos dizer que o Budismo é a ‘integração da história da Salvação e da Iluminação a partir do Buda Shakyamuni’.

E no universo acadêmico, acreditava-se que dentro do Budismo Mahayana, em especial na Doutrina da Terra Pura, abandona-se toda sabedoria e rejeita-se todas as práticas, com uma forte tendência a perder-se em uma fé cega.

No Japão, ao mesmo tempo em que Mestre Shinran era idolatrado por intelectuais, por outro lado, havia os que pensavam que seus ensinamentos e seus fiéis se prendiam à heteronomia e à concessão de graças. Não podemos dizer que são poucos os que seguem essa tendência crítica, que persiste ainda hoje em dia.
Os equívocos e mal-entendidos acerca do conceito de “Akunin – os maus”, somados à dificuldade de entendimento sobre a maneira negativa como o Jôdo Shinshû adota o conceito de vontade própria – é que se faz ouvir justamente dentre muitos que estudaram os ensinamentos do Jôdo Shinshû, comentários como: “Os ensinamentos do Jôdo Shinshû são de difícil entendimento. É por isso que praticar ascetismo, esforçar-se, esgotar o Jiriki (Auto Poder) para tornar-se uma pessoa boa, é mais fácil de se compreender e aceitar”. Estas espécies de equívocos, são inumeráveis.

            Neste ponto deparamo-nos com dois problemas: Primeiro, se afirmamos que os Ágamas foram pregados pelo Buda Shakyamuni e, portanto, considerados Budismo original (que se manteve inalterado desde sua origem), em contraposição, como se pode afirmar que os Ensinamentos do Jôdo e do Shinshû são considerados Budismo? Conforme o significado, torna-se uma questão intelectual. E o segundo problema é se o Ensinamento da Terra Pura (Jôdo) é considerado Budismo, como ocorreu sua formação? Como são explicadas questões como a ilusão e a salvação? Que tipo de condições são impostas (como sabedoria e prática)? Questões essas, de cunho religioso.

            Para ambos os problemas, desvendando-se a questão “O que é o Budismo”, a resposta surgiria simultaneamente. Todo o trabalho do Mestre Shinran que nos foi deixado como legado, é exatamente o ensinamento capaz de responder a essa questão. É por isso mesmo que as palavras do Mestre se tornam para nós, palavras plenas de ensinamento.

            A originalidade do pensamento de Shinran veio sendo narrada ao longo dos tempos. Também existem interpretações fundamentalistas dentro do Shinshû que afirmam que não se trata mesmo de Budismo, mas que deve ser chamado exclusivamente de “Ensinamentos de Shinran”. Isso seria satisfatório? É preciso dizer que o original se opõe ao universal. É necessário que se esclareça esse caráter universalista, caso contrário torna-se apenas uma presunção.

            O objetivo desta discussão é reposicionar o pensamento de Shinran no contexto do Budismo/Budismo Mahayana através da perspectiva do Hongan – Voto Original do Buda Amida, confirmando-se assim, seu significado. Com isso, gostaria de discutir sobre a questão ‘o que é o Budismo’ e em contrapartida, analisar qual o direcionamento tomado pelo Mestre Shinran para compor seu próprio Budismo.


釈迦入滅 Parinirvana do Buda Shakyamuni



第一章 本願とは ― 根源への遡及・新たな表現の展開



            イギリスの植民地となったインドでサンスクリットの文献が見つかり、本格的な研究が始まったのは、十八世紀も末になってからのことであった。末開の土地と思われたインドであったが、その古代が驚きをもって再発見されたのである。そして明治維新以降、ヨーロッパの近代仏教学が日本でも取り入れられた。

            もともと欧米の研究者の間では仏教研究はインド・スリランカなどに残る、釈尊の説いた経典群を編集したと言われる「阿含経」や部派仏教までが中心であって、大乗仏教、中国・日本の仏教は仏教として本流ではないと考えられていた。それを受けて日本でも大乗非仏説と説かれた。

                       

<*大乗非仏説とは大乗経典が直接、釈尊の口から説かれたものではない故に、仏教ではないという批判である。これは江戸時代にも富永仲基も説いたし、そもそも大乗経典自身がそういう批判に触れてもいる。明治になって大谷派の学僧村上専精は東京帝国大学の教鞭をとったが、学者としての誠実さから大乗非仏説を説き、反響の大きさから一時僧籍を離れた。

しかしながら釈尊のことばを記したといわれる「阿含経」でも、今のかたちになったのはどれだけ古く見積もっても釈尊の滅後二百年は遡ることはできない。現在の「阿含経」はパーリで書かれているが、それは翻訳されたものである。そして教団は釈尊の滅後百年に、大きく上座部と大衆部の二つに分かれた。そのそれぞれが独自の「阿含経」を伝持していったようである。今残っているパーリの「阿含経」はその上座部の一派が伝えたものである。その経典の中でどこが古いものかということ研究されてきている。しかし最古層と思われる部分は、当時のインド思想に近いものとなっていて、仏教の特徴がつかみにくい。結局、仏教とは「釈尊に始まるすくいとさとりの歴史の集積」と言わねばならないと思う。> 



そして学問の世界では、その大乗仏教の中でも、特に浄土教は、智慧や行を捨てる、妄信的な傾向があると考えられてきている。

            日本においては知識人たちの親鸞讃仰があると同時に、一方ではその教え、またその信仰者たちを他律的・恩寵的であると考え、批判する傾向は今でも少ないとは言えない。親鸞の説く「悪人」に対する誤解や、また自らの意志というものを否定的に受け取ってゆく浄土真宗の教えそのものの持つわかりにくさから、かえって浄土真宗の教えを学んだ人から、「浄土真宗はわかりにくい、修行をし、努力をし、自力を尽くしていい人間になる教えの方が分かりやすい」、と言われる。こういう誤解は枚挙に遑がない。

            ここには二つの問題がある。一つは釈尊が説いたと言われる「阿含経」がオリジナル(起源そのまま)な仏教であるという主張に対して、いかにして浄土教・真宗は仏教であると言えるかという、ある意味では学問的な問題。もう一つは、教えが仏教としてどのように成り立っているのか、そこに迷いとすくいがどのように説かれているのか。それにはどのような条件(智慧や行)が必要となるのかという、宗教的な問題である。

            どちらも問題は「何が仏教なのか」ということを明らかにするこたが、そのこたえとなるだろう。私たちの前に残されている親鸞の仕事は、まさにそこにこたえるという課題を持ってなされたのである。だからこそ私たちに教えのことばとなっているのである。

            親鸞の思想の独自性は語られてきてはいる。親鸞教であって仏教ではないという真宗原理主義とでも言うべき理解もある。それでいいのだろうか。独自性は何か普遍的なものに対して言われなくてはならない。その普遍性が明らかにされなければ、ただの独りよがりでしかない。

            この論考の目的は、それについて、親鸞の思想を仏教・大乗仏教という文脈に置き直して、その意味を本願という視点から確認することである。それをもって何が仏教かということを、また、それに対して親鸞は自らの仏教をどのような方向から組み立てたのかを考えてみたい。

           


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