30/09/2018

Capítulo 1 Parte I - O Budismo Mahayana é o Budismo para tornar-se um Buda – O Caminho do Bodhisattva e o Hongan (Voto Original) 大乗仏教は仏となる仏教である ― 菩薩道と本願


Capítulo 1 Parte I - O Budismo Mahayana é o Budismo para tornar-se um Buda – O Caminho do Bodhisattva e o Hongan (Voto Original)



Texto: Rev. Futoshi Takehashi

Tradução e subnotas: Sayuri Tyō Jun

In: Shinran

            Antes de tratarmos diretamente sobre o que é o Hongan (本願 Voto Original), primeiro é preciso desfazer um equívoco, é uma questão muito básica, mas de suma importância. Tanto o “Hongan” (本願 Voto Original) e o “Jôdo” (浄土 Terra Pura) e o consequente “Ôjô” (往生 Ir-Nascer na Terra Pura) não são expressões únicas e originais de uma corrente específica do Budismo Mahayana chamado de Terra Pura. Os conceitos de Hongan e de “Butsudo” (仏土Terra Búdica) são premissas do Budismo Mahayana. Essa proposição surge a partir da afirmação de que o Budismo Mahayana é o Caminho Búdico percorrido pelos Bodhisattvas. Assim, manifestar em forma de “Seigan” (誓願
Voto Universal) o anseio de desencadear o despertar da consciência para a Iluminação de todos os seres viventes; tornar-se um Bodhisattva para realizar todas as práticas tendo um Buda como Mestre; tornar-se ele mesmo um Buda e obter a total realização e construir sua própria Terra Pura – é o Caminho do Bodhisattva.

Desta maneira o Budismo Mahayana desenvolveu-se como “Budismo para tornar-se um Buda”. Sobre esse desenvolvimento é possível pensar-se da seguinte maneira: Primeiramente, durante a vida do Buda Shakyamuni, as Três Joias – O Buda, o Dharma e o Sangha, eram reais. Shakyamuni era o Buda, o Buda que encontrou-se com o Dharma, personificando-o. Quem quisesse buscar o Caminho Búdico, bastava encontrar-se diretamente com o Buda Shakyamuni e tornar-se seu discípulo. Assim obtinha-se tanto a Salvação como o Satori (Iluminação) como uma coisa só.

Após o falecimento do Buda [1], os discípulos sucederam o Sangha, que se dividiu em vários grupos. Durante o governo do Rei Ashoka (metade final do século III a.C) os Ensinamentos do Buda propagaram-se por toda Índia e Sri Lanka, onde houve pedidos de tradução e difusão, nascendo assim os condicionamentos favoráveis para o surgimento de uma nova expressão adaptada às diferenças culturais e de linguagem. Outro ponto decisivo foi o surgimento de muitas vozes que se elevavam desejosos de encontrarem-se com Buda Shakyamuni. Isso está claramente expresso nos Sutras do Mahayana relatando o período inicial que o Buda viveu. Nascia o despertar para a conscientização dos “Tempos sem Buda” ou “Mubutsu” (無仏). Dentro disso, de qualquer maneira, eram os seguidores do Sthaviravāda que mantiveram o modo de vida dos discípulos em conformidade com os preceitos do Buda. Posteriormente, passaram a ser chamados de Hinayana (Pequeno Veículo) em tom de crítica. Atualmente restam no Sri Lanka e sudeste asiático um Budismo que segue o fluxo da tradição antiga.



Nota do autor [1]: O falecimento do Buda Shakyamuni (Nyûmetsu 入滅), a entrada no Grande Nirvana (Hatsu Nehan 般涅槃): Para a maioria dos pesquisadores ocidentais que se apoiam em escritos históricos dos séculos IV e V do Sri Lanka, o falecimento do Buda teria ocorrido no ano 485 a.C. E em Hajime Nakamura, que se baseia em documentos traduzidos na China no século VI, que determinam o falecimento do Buda no ano 386 a.C. Ambas datações têm forte apoio entre os pesquisadores e nenhuma teoria consagrou-se como vigente. Esse hiato, enquanto não forem encontradas evidências arqueológicas e dados de pesquisa incontestáveis, não será preenchido. Mas ambas datações se determinaram a partir das anotações de um emissário do Rei Ashoka, documentados pelo Império Romano. Quase não existem registros históricos dessa época na Índia, portanto trata-se de uma divergência de difícil resolução.


            Inicia-se assim, o movimento de tentativa de esclarecimento do que seria a Salvação e o Satori (Iluminação) segundo o Buda Shakyamuni, e assim buscar a realização da Iluminação por si mesmo. Isso deve ter ocorrido também, no desenvolvimento do Budismo Sthaviravāda. De acordo com as pesquisas atuais [2], há vestígios que corroboram a coexistência do Budismo Sthaviravāda e do Budismo Mahayana que podem ser vistos através dos registros dos monges da China que visitaram a Índia. 


 Nota do autor [2]: Atualmente existem pesquisas que comprovam a existência de imagens budistas Mahayana dentro de mosteiros Sthaviravāda. E ainda, mesmo pela análise da evolução doutrinária, como seria possível a composição dos Sutras Mahayana sem antes ter passado pelo Budismo Sthaviravāda? E pode-se ver nas obras Kôsô Hokkenden 高僧法顕伝 de Hokken 法顕 [1] e Daitô Saiiki-ki 大唐西域記 de Genjô 玄奘 [2], relatos de estudos comparados entre o Mahayana e o Hinayana nos mosteiros.



Notas da tradutora: [1] Hokken (337-422) ou Fa-Hien, foi um monge chinês que saiu de Chang’an em 399 aos 60 anos de idade, atravessando o deserto de Taklamakan, as montanhas Pamir até o Punjab alcançando o Ganges e indo até o Sri Lanka, retornando à China por via marítima em 413. Sua obra Kôsô Hokkenden ou Bukkoku-ki 仏国記, trata dos relatos dessa sua viagem. Traduziu vários Sutras para o chinês, como o Makasô Giritsu 摩訶僧祇律 e Daihatsu Naio-kyô 大般泥洹経.

[2] Genjô ou Sanzô Hôshi 三蔵法師 Xuanzang ou Hsuan-tsang (602-664) foi monge e tradutor chinês. Partiu em 629 para a Índia, retornando em 645 portando imagens sagradas e 657 Sutras. Patriarca da Escola Hôsô-Shû. Sua obra Daitô Saiiki-ki foi a base de inspiração para a obra Jornada ao Oeste.


      Ou seja, eram movimentos que visavam encontrar-se por si mesmo com o que o próprio Buda Shakyamuni se encontrou, e trilhar o mesmo caminho. Portanto significa a evolução do Budismo daqueles que visavam tornar-se discípulos do Buda, para o Budismo daqueles que buscam eles próprios tornarem-se Buda. Penso que isso ao longo do tempo, pelo contrário, foi uma tentativa de reaproximação com os fundamentos originais do Budismo.

      Colocando de outro modo, se há salvação, a causa original é o Dharma.  Mesmo considerando-se o encontro com o Dharma através das palavras do Buda Shakyamuni, esse encontro pode ocorrer de incontáveis maneiras. Essa nova forma de expressão é que era contida nos Sutras do Mahayana. Dentro dessas palavras deixadas pelo Buda Shakyamuni, o próprio Dharma ali expressado, penso que pode ser considerado uma nova evolução.

            Aqui, gostaria de fazer uma confirmação relativa aos Sutras. Uma vez finalizado um Sutra, mesmo assim não era prontamente levado à transmissão.  Logo após o falecimento do Buda Shakyamuni, ocorreu um concílio para reunir-se as regras (resoluções acerca da vida monástica) e os Ensinamentos em forma de Sutras. O concílio foi patrocinado pelo Rei Ajase sob comando de Mahakashapa
大迦葉 Daikashô em japonêsque centralizou os trabalhos.  Ananda foi o principal responsável pelos trabalhos de reunião dos Sutras. Como primo do Buda, era um discípulo Jôzuijikkin 常随昵近 (aquele que se dedica a servir em tempo integral).

Quando o Buda aos 35 anos de idade, logo após o estabelecimento de seu Caminho e passando a pregá-lo, ao voltar para sua terra natal Kapilavastu, algumas pessoas entre elas Ananda e seu irmão Devadatta, abandonaram a vida mundana e tornaram-se seus discípulos. Até o falecimento do Buda, Ananda sempre esteve junto servindo o Buda por mais de 40 anos. Foi ele que estabeleceu a frase: “Assim eu ouvi” (Nyoze-Gamon 如是我聞) iniciando assim a recitação dos Ensinamentos do Buda Shakyamuni que ele mesmo ouviu, recordando-se de cada palavra proferida. Esse foi o alicerce que originou os atuais Ágamas que nos foram transmitidos. Nesse início, não havia transmissão por escrito [3], a transmissão era feita de boca a ouvido, ou seja, era a tradição oral.



Nota do autor [3]: Nós comumente somos levados a pensar que a forma documental escrita é a forma mais segura de transmissão. Mas o recebimento, transmissão e conservação dos ensinamentos é menos propensa a alterações quando é feita por tradição oral. Especialmente o ato de “copiar”, ou seja, reproduzir palavras em letras escritas à mão, são mais suscetíveis de incorporar interpretações do copista, aumentando assim os equívocos na transmissão do Dharma.  Embora atualmente consideramos que as palavras do Buda Shakyamuni estão expressas nas línguas páli e sânscrito, e assim consideradas como as linguagens das escrituras sagradas, já se tratam de traduções.



            Após o falecimento do Buda Shakyamuni, a Ordem dos Sthavira encontrava-se subdividida, e cada qual transmitia conteúdos diferentes dos Ágamas. No primeiro centenário de falecimento do Buda, ocorreu a grande Cisão Original, que dividiu a Ordem em dois grandes grupos, e 100 anos depois, já existiam mais de 20 grupos Sthavira. Atualmente há maior coerência na afirmação de que entre 150 a 250 anos após o falecimento do Buda, os Ensinamentos que foram levados para o Sri Lanka na época do Rei Ashoka é que podem ser considerados como originais, e é o que nos chegou como Ágamas em língua páli. Nestas alturas, não se sabe se existiam em alguma forma de texto. Até então pensa-se que só havia transmissão oral dos Ensinamentos. De todo modo, atualmente são feitas pesquisas para comprovação do que seria mais antigo, racional e historicamente próximo das palavras proferidas pelo Buda, pois não há nada que possa ser concluído como sendo um ensinamento enunciado diretamente pelo Buda.

            Enquanto isso, através da história constata-se que o Satori do Buda, o encontro com o Buda e o Dharma e todo universo deste Satori, é que originaram novos Sutras.

Este é o movimento do Budismo Mahayana. Pensa-se que isso ocorreu entre o final da era pré-cristã e o primeiro século da era comum. Após o falecimento do Buda, 400 ou 500 anos se passaram até o nascimento desta nova tradição, de onde nasceu também os Ensinamentos da Terra Pura – Jôdo.

            Bem, para a apresentação deste novo Budismo - o Budismo Mahayana, devemos remontar ao passado, para uma categoria anterior que é a época dos Jatakas, que gostaria de examinar a seguir.






1 大乗仏教は仏となる仏教である ― 菩薩道と本願



「本願とは」ということに直接触れる前に、まず、ここで一つ誤解を解いておかなければならない。大変基本的で、しかも重要な問題である。「本願」と「浄土」、そしてその「浄土へ往生」という表現は、浄土教という大乗仏教の中の一つの流れに独自なものではないということ、つまり大乗仏教である以上は本願と浄土(仏土)ということが前提となっているということである。

それは「菩薩」が道を行くという仏道のあり方が大乗仏教であることによって起こる事柄である。衆生が発心し、それを誓願として発現し、菩薩となり、師である仏の下で修行し、成仏し、自らの仏土を建てるというかたちで完成するのが菩薩道である。

            このように大乗仏教は「仏となる仏教」として展開した。それは次のように考えられないであろうか。まず釈尊在世中は仏・法・僧の三宝は実体的にも存在していた。釈尊は仏である。つまり法に出会ってそれを体現した者である。仏道を求めるものは釈尊に直接会って仏弟子になればよかったのである。そこにはすくいもさとりも一つのものとして得られたのである。

釈尊の滅後 <*釈尊の入滅(般涅槃)は欧米の学者の多くが支持している記元前四八五年というスリランカに伝わる歴史書(四、五世紀成立)による説と、記元前三八三年(中村元説)という中国で訳された論書(六世紀訳)による説がある。どちらも強い支持があって定説になっていない。この溝はよほど確実な新しい考古学的、歴史学的資料見つからない限り埋まりそうもない。どちらもその年代質出には、アショーカ王の使者の記事がローマ帝国の歴史書に載っていることから質出された年代なのである。インドにおいては当時の歴史の記録はほとんど無く、解決因難な問題である。>

弟子たちに教団は受け継がれた。その教団はいくつにも分かれていった。教えそのものもアショーカ王の統治(紀元前三世紀後半)などを通して全インド、スリランカなどに広がっていた。そこには翻訳や、伝播による新しい表現への要請があったであろう。文化・ことばの違いは新しい表現を生む縁になったであろう。もう一つ決定的なのは「仏(釈尊)に会いたい」という声がでてきたことである。それはご初期の大乗経典にも、はっきりと説かれている。無仏の時代という自覚が生まれていたのである。その中で、あくまでも釈尊のことばによって、仏弟子としての生活を続けるのが部派仏教の徒である。以前はそれを小乗仏教と批判を込めて呼んでいた。現在、スリランカや東南アジアに残る仏教がその流れを汲むものである。

            それに対して、釈尊のすくい、さとりとは何かを明らかにしようとし、それを実際に自分でさとろうという動きが現れてきた。それは部派仏教の進展の中にもあったであろう。最近の研究では部派仏教と大乗仏教の共存の跡が確認されるようになっている、それは中国からインドに訪れた僧侶たちの記録にも見られる。

            <*最近では部派の僧院の中に大乗の仏像が確認できるという研究などがなされている。また、教義学の展開から言っても、部派仏教によく通

じたものでなければ、大乗の経典は作ることはできないのではないだろうか。また法顕の高僧法顕伝や玄奘(げんじょう)の『大唐西域記』には大乗小乗をや兼学する僧院についての記述が見られる。>

      つまり自らも釈尊の出会ったものに出会い、同じ道を行くということが表現されるようになっていったのである。つまり仏弟子になる仏教から、仏となる仏教へと展開したということである。それは年月を経ることによって、逆に根源的なものへの接近が図られたということができると思う。

      逆に言えば、すくいというものがあれば、それをもたらしたものが法であるということである。それは釈尊のことばから出会うということはあったにしても、その出会い方は無数であろう。それが新たに表現されるようになっていったのが大乗の経典である。それは残された釈尊のことばのなかに表現されている法が、それ自身において、新たな展開をしたということもできるのではないだろうか。     

ここで「経典」について確認しておきたい。経典は一度でき上っても、そのまま固定されて伝承されてきたものではなかった。釈尊の滅後すぐに経典と律(教団の生活の決まり)の編集会議が開かれたと伝えられている。阿闍世王がそれを後援し、大迦葉(だいかしょう)が教団の中心となってその事業を行ったとされている。経典編纂の中心になったのが釈尊のいとこの阿難である。彼は常随昵近(じょうずいじっきん)の弟子と言われる。

釈尊が三十五歳での成道後間もなく、故郷のカピラヴァストゥに帰ったとき兄弟の提婆達多などとともに出家し、それ以降は釈尊が亡くなるまで、おそらくは四十年余り、常に身近に仕えていたと言われている。彼が「私はこのように聞きました=如是我聞」と言ってから聞き覚えている釈尊の教えを誦したのである。それが「阿含経」として現在伝えられているものの基礎となった。それは最初は文字にされることなく、口伝え(口承)されていた。

<*私たちは文書になったものの方が、確実に伝承されると考えがちであるが、口承の方が伝持上の変化は少ないようである。特に「写す」という行為においては、文字を手で書写する方が、その人の解釈が入りやすい分、情報の誤伝は、多かったと考えられる。しかも釈尊のことばも今はパーリやサンスクリットという聖典語になっているが、これらは翻訳されたものであると考えられている。>

            釈尊の滅後、いくつもの部派に分かれていった教団が、それぞれ違った内容の「阿含経」を伝持していった。釈尊の滅後百年に「根本分裂」によって教団は大きく二つに、それから百年ほどを経て、二十あまりの部派に分かれていった。今見られるもので、もっともまとまったものは釈尊の滅後百五十年あるいは二百五十年たってからアショーカ王がスリランカに仏教を広めたときに渡ったものが基本となっていると考えられている。現在残っているパーリの「阿含経」がそれである。その時点でなんらかの文書のかたちになっていたかどうかもわかっていない。その前後までは口承されていたと考えられている。ともかく現在はその中でどれは一番古いもので、それが釈尊のことばの歴史的、物理的に近いであろうかという研究がなされている。釈尊の直説と断定できるものは何もないのである。

            一方、歴史を経て、釈尊のさとりや、出会ったもの、またそのさとりの世界が新たな経典として生まれていった。これが大乗仏教運動である。これは紀元前後あるいは後一世紀ごろに始まったと考えられる。釈尊滅後四百年あるいは五百年を経て生まれてきた新しい流れである。その中で浄土教も生まれてきた。

            さて、この新しい仏教の表現、大乗仏教はもう一つ前の段階、「ジャータカ」に遡ることができる。それについて検討したい。

           

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