11/09/2018

Hongan – O “eu” como fundamento do Voto Original do Buda 本願 ―「わたし」の根拠である仏の願い‐竹橋 太


Hongan – O “eu” como fundamento do Voto Original do Buda
Rev. Futoshi Takehashi
Tradução: Sayuri Tyō Jun
Texto extraído do livro Shinran” – 2009 – Shinshû Kyôdan Rengô – Editora Asahi Shinbun - Japão


Prefácio

            Nós sempre temos vivido almejando um mundo de paz e felicidade, e hoje, certamente a vida tornou-se mais prática e bem mais confortável. Será que não poderíamos dizer que as transformações ocorridas na nossa sociedade nos últimos 100 anos foram sem precedentes, dentro da história da raça humana? Com todas as facilidades modernas, não há mais limites para os nossos desejos, pois é possível se obter qualquer coisa. Pode-se passar dias e dias sem ter que trocar uma única palavra com alguém, é possível se viver retirado do mundo, dentro de casa. Os idosos passaram a poder viver sozinhos e por conta própria. Em certo sentido, será que não alcançamos a sociedade que objetivávamos? Muito bem, e será que com isso realmente atingimos a felicidade?
            A mídia no Japão afirma que vivemos a “Era do Coração”. As necessidades materiais foram supridas, mas será nisso que se encontra a verdadeira felicidade? Me parece que muitos questionamentos deste tipo têm surgido agora. Há também um sentimento de que apesar de até agora, termos sempre nos dirigido para o lado que pensamos ser do bem, mesmo assim, parece que algo está terrivelmente errado.
É exatamente neste ponto que o que chamamos de moral, razão e a própria religião justificam o significado de suas existências, não é assim que pensamos?
            Justamente por isso, para aqueles que querem afirmar que vivemos em plena “Era do Coração”, é que gostaria de dizer que não vivemos de maneira nenhuma, na “Era do Coração”. Até agora fizemos o melhor possível na busca pela paz e igualdade, não é mesmo? Não pensávamos que se o mundo se tornasse um lugar melhor, não existiria esse tipo de contradição? Mas ao contrário do que pensávamos, como resultado, não acabamos produzindo guerras e consequentemente mais miséria?
            Será que ainda não desenvolvemos o sentimento de consciência humana e por isso é preciso ensinar um modo de vida mais racional? Esse pode ser o conteúdo da expectativa depositada no conceito de “Era do Coração”. No entanto, onde está o fundamento da consciência e do bem? Isso é muito ambíguo. Sustentamos até agora nosso modo de viver, justificando como objetivo, nos tornarmos cada vez melhores.  Esse objetivo equivale à ideia de que o ser humano e a sociedade encontram-se em contínuo progresso. Essa é a questão. Será possível dizer que razão e moral também estão incluídas no mesmo âmbito?
Esse é o ponto de questionamento do Budismo. Além de afirmar reiteradamente que nós somos seres humanos, o Budismo nos aponta para o fato de que nossos conceitos como “é assim que tem que ser”, “isso é o correto” são resultados do “sou eu que acho” e que não é possível sair dos limites desse “eu acho”. E desta maneira, a assertiva “tem que ser assim” não seria de antemão, uma forma de violência?
             Eu quero aqui, dizer claramente: o Budismo não é um ensinamento do coração. E também não nos ensina como devemos viver. E muito menos é ouvindo o Budismo que melhoraremos nossa qualidade de seres humanos. O objetivo do Budismo é fazer o ser humano conhecer-se como ser humano, tal como é. Através do encontro com o Budismo é que podemos contrapor o que passamos a enxergar através desse encontro com a maneira como podemos seguir vivendo - é uma decisão que cada um deve tomar sozinho. É o Budismo que declara que não existe absolutamente nada “que tem que ser assim”. O Budismo simplesmente tem apenas um questionamento: você quer ou não se tornar um Buda? Essa é a interpelação do Budismo. Apenas e tão somente isso.
O Budismo não questiona como o ser humano deve viver. O Budismo questiona o ser humano enquanto ser humano. É o ensinamento que me faz conhecer o que eu sou. O Budismo não se presta a me mostrar um doce sonho.



「親鸞」真宗教団連合
本願 ―「わたし」の根拠である仏の願い ‐竹橋 太

はじめに

            私たちは、幸せで平和な世界を求めて生きてきた。確かに生活は便利に、そして楽になった。この百年の社会の変化は、これまでの人類の歴史の中で、かつてないものだったのではないだろうか。便利になり欲望の解放は進み、どんなものでも手に入れることができる。だれともことばを交わすことなく、日々を過ごし、引きこもっていても生きることはできる。老人はひとりで暮らせるようになった。ある意味で私たちが目指してきた社会になったのではないだろうか。さて、それで私たちは本当に幸せになったのだろうか。
            こころの時代だと言われる。物質的なものは満たされた、しかしそこに本当の幸せはあるのか、そういう問いかけであるように思う。自分たちが善いと思う方向に進んできたはずなのに何かがおかしい、ということでもあろう。道徳や理性、そして宗教というものはそこでこそ存在の意義がある、そう考えられているのではないか。
            こころの時代と言いたい人に、だからこそ、こころの時代ではないのだと言いたい。今までもそうやって私たちはそれなりに最善を尽くしてきた。平和や平等を求めてきたのではなかったか。世がよくなればそういう予盾はなくなると考えてきたのではなかったか。しかし、結果的にそれが逆に戦争や貧因をもたらしてきたのではないか。
            まだ人間の良心が育っていない、もっと理性的な生き方を教えることが必要なのだろうか。それはこころの時代という言葉に託された期待の中身であろう。しかし、良心や善の根拠はどこにあるのか、それが曖味である。それはもっともっと良くなってゆこうという、我々の今までのあり方を支えてきた、人間や社会は進歩し続けるという考え方と同じである。それが問題なのである。理性や道徳といったものも、その枠組みの中のものではないかと言い切れるだろうか。

仏教が問題にしているのはそのことである。私たちが人間である以上、こうであるべきである、これが正しいというのは「私が思う」という範因を出ることはできないということを指摘しているのである。また、こうでなければならないというのは、既に一つの暴力ではないだろうか。
            ここではっきりと言っておきたい。仏教はこころの教えではない。またどう生きるかを教えるものでもない。それを聞くことによって人間の質が向上するようなものでもない。人間のありのままの姿を知らせ、それを問うものである。仏教に出会うことによって見えてくるものに対して、どう生きてゆくかは、一人ひとりが決めることなのである。こうでなければならないということが一切ないのが仏教である。ただ一つ、あなたは仏になりたいのか、と問いかけてくるのである。仏教が私たちに要求するのは、ただそれだけなのである         
            仏教は、人間がどうやって生きるかを問題にするのではなく、人間が人間であることを問題にするのである。私が何者であるかを知らせる教えである。私に甘い夢を見せるものではない。

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