31/07/2019

Pensando a Liturgia – A Solenidade do Budismo Shin e o Futuro de sua Liturgia 儀式を考える–真宗の荘厳とこれからの儀式のあり方


Revista Shinshû – edição de junho/2019
Texto: Rev. Futoshi Takehashi

Versão e Adaptação: Sayuri Tyō Jun



Sobre o momento de crise em que se encontram os templos e o Budismo no Japão, desde os tempos que atuava no Instituto Budista de Estudos Missionários, vinha pesquisando e pensando muito sobre o assunto. Por exemplo, na década de 1950 surgiram muitas escolas dominicais budistas frequentada por crianças, filhos de fieis dos templos. Assim dava-se a continuidade na transmissão dos Ensinamentos, cada geração anterior responsabilizando-se pela geração seguinte. Penso que houve épocas em que esse sistema funcionou bem e outras nem tanto em épocas mais difíceis, que se sucederam até o momento presente.

            É claro que após a Revolução Meiji, a Ordem Otani-Ha sofreu muitas crises, e dentro deste contexto histórico, penso que vivemos novamente a aproximação de uma grande crise. Assim como também vivenciamos o problema da urbanização excessiva versus o despovoamento das áreas rurais. As metrópoles sofrem com a deterioração dos relacionamentos interpessoais enquanto as regiões interioranas sofrem com a decréscimo populacional. Isso se deve à própria mudança na estrutura social que arruinou o modelo anterior onde os templos budistas e shintoístas eram o centro agregador da comunidade nas regiões do interior. Além disso, os ritos em memória dos falecidos, que consistiam numa das principais atividades destes templos, diminuíram consideravelmente. Acho que as mudanças nestas últimas décadas ocorreram de forma muito rápida. Realmente nos vemos diante do desmantelamento da consciência de comunidade. Em termos litúrgicos, percebemos o surgimento de termos novos como ‘funerais restritos à família’ ou ‘restritos aos parentes’ e ‘funerais concisos ou simplificados’, conferindo uma nova realidade no conceito das cerimônias fúnebres.

            Atualmente a nossa Ordem, diante dessas questões, iniciou vários movimentos de incentivo e apoio para reanimação das atividades dos templos. Tendo como base e fundamentação a transmissão dos Ensinamentos da Verdadeira Escola da Terra Pura - Jôdo Shinshû ou Budismo Shin. E acho que a Liturgia também representa uma evidente forma de transmissão dos Ensinamentos.

            Aqui eu gostaria de falar a respeito de uma de nossas Missões internacionais. Já fui enviado ao Brasil várias vezes a trabalho, é um país predominantemente católico mas onde ainda encontra-se bastante arraigada a Liturgia solene de nossa Escola. E em função do trabalho missionário local, os monges - ministros do Dharma do Brasil acalentam o desejo de manter e realizar a Liturgia corretamente de acordo com a tradição. Diante disso, por sugestão dos próprios missionários que atuam no Brasil, num acordo entre o Departamento Internacional do Honzan e o Departamento de Liturgia do Santuário Central, iniciamos há 5 anos, um curso especial de Liturgia voltado especialmente para os missionários que atuam no exterior. E nestes últimos anos, tivemos um aumento considerável de brasileiros não-descendentes ordenando-se aqui no Honzan.

De qualquer maneira, mesmo que seja um exemplo restrito ao Brasil, com relação à realização correta da Liturgia de acordo com a tradição, esta pode tornar-se uma porta de entrada para a fé. Mesmo descontando-se a questão da paixão e fascínio que o Oriente causa nos ocidentais, reconhecemos o profundo significado da Liturgia que verdadeiramente proporciona de alguma maneira, uma forte sensação de solenidade sagrada que nos distancia das atribulações do cotidiano.

            Quando se trata do que isso significa no Japão, acho que o que está acontecendo no Brasil está acontecendo no Japão em tempo reduzido. Em resumo, há dois direcionamentos: Uma direção na qual o que foi cultivado por muitos anos (a cultura japonesa da primeira geração) sofre uma rápida perda e uma outra direção na qual surge o nascimento de novas coisas. Pode-se afirmar que também faz parte do trabalho missionário buscar e ir de encontro a novos fieis, seja nas cidades ou nas áreas rurais, sinto que essas possibilidades estão em vários lugares. É um passo em direção à reconstrução a partir da percepção de uma iminente crise.

            Se pensarmos na existência dos templos dentro deste contexto, como no exemplo citado sobre o Brasil, penso se não seria possível uma redescoberta do que poderia ser chamado de poder contido na Liturgia. Liturgia que consiste como por exemplo, no simples ato de juntar as mãos e deixar a cabeça abaixar-se. A Liturgia é a materialização daquilo que não podemos enxergar com os nossos olhos - como a fé e os Ensinamentos, tornados em uma forma visível aos nossos olhos. Porém, tais formas e seus locais de prática não são uma busca constante e inerente do ser humano? Penso que os templos budistas possuem muitas possibilidades que correspondam a essa busca e que isso é simbolizado através da realização da cerimônia religiosa.

            Acredita-se que os rituais e as cerimônias existam desde a época em que os seres humanos se humanizaram. São expressões que abalam as partes mais profundas do “corpo” e do “coração”, em vez da “cabeça”. Em termos de Budismo Shin, é o próprio Buda Amida que manifesta-se alinhado às nossas Paixões Mundanas – Bonnô. Penso que o mesmo se aplica àquilo que possui forma como os templos, mantos, estolas e paramentos que nos remetem ao Sagrado. Acho também que a chamada era moderna fez com que tais “formas” e “modelos” fossem um pouco negligenciados. Fazendo um parâmetro com o Brasil que mencionei há pouco, sobre o ponto que se refere à expansão da transmissão dos Ensinamentos do Budismo Shin, acho que os meios de expressão baseados em “formas”, podem ser revestidos de maior importância. Eu acho que há uma força pela qual qualquer pessoa pode entrar em contato e ser tocado pelo Nembutsu, um poder que se torna uma porta de entrada e que em comparação às discussões e argumentos confusos, é uma força contida em coisas e formas visíveis.

            Por exemplo, juntar as mãos em Gasshô, é um ato que pode ser realizado sozinho, e neste contexto, mesmo nesta era de solidão e isolamento em que vivemos, será que não existe algum poder capaz de envolver e atrair um por um, cada ser humano vivo?

            No Budismo Shin e no Budismo de modo geral, nós recebemos a Liturgia como uma forma de Hôben (meio hábil salvífico). É a representação do nosso encontro com o Buda Amida, é a materialização da nossa emoção perante o chamado de Amida e estarmos indo ao encontro Dele. Nos encontrarmos com Amida significa sermos iluminados pela Luz de Sabedoria Infinita de lá para cá – pelo próprio Buda Amida. Não somos salvos porque realizamos a Liturgia, é na cerimônia que a salvação toma uma forma e é expressada. A cerimônia budista não é causa, é fruto (resultado). Mesmo assim, existem aqueles que participarão da Liturgia sem essa compreensão, só percebendo depois, quando for possível afirmar: “ah era isso!”, ou seja, quando redirecionamos do resultado para a causa. Por isso, primeiro iniciamos pela “forma”, forma essa que é a de sermos iluminados pelo Buda, e conforme mais adentramos, vamos tomando conhecimento do significado deste novo mundo. Penso que isso é um Hôben em processo.

            Portanto, mesmo aqueles que creem que a salvação advém da realização da Liturgia, é necessário que todos sejam acolhidos. Ou seja, “é o Nyorai que se volta em nossa direção e prega o Ensinamento para todos nós” e assim tudo se conecta. Em certo sentido, mesmo as Liturgias realizadas com os sentimentos permeados de Jiriki (Auto Poder), é dito que o Buda por seu lado, acolherá a todos. Penso se não seria essa a Liturgia do Tariki (Outro Poder) do Budismo Shin. Mesmo parecendo-nos como algo tendendo a voltar-se para o Jiriki, não devemos rejeitar, pois disto pode decorrer a conversão e sinto que desta maneira o significado original vem a manifestar-se por si só.

            Ocorre que algumas vezes dizemos que ‘isso é coisa do Jiriki (Auto Poder), por isso não pode’, e cortamos, jogamos fora e buscamos em outras esferas. Mas não é bem assim, mesmo que o ser humano busque num certo sentido, tender para o Jiriki, qual seja, realizando cultos dedicados aos mortos com intenção de apaziguá-los, em termos litúrgicos, Amida se manifestará assim mesmo. Ou seja, mesmo na nossa intenção de realizar um culto para pacificar os mortos, na verdade nós é que estamos sendo reconfortados pelo Buda. Essa fórmula já vem contida e representada na Liturgia. Dizendo de uma maneira mais fácil, só o fato de já termos juntado nossas mãos em Gasshô e abaixado nossas cabeças – esses atos por si só já consistem na Liturgia mais simples que existe. Neste ponto já está manifestado o aspecto da Salvação, esse é verdadeiramente o fruto (resultado) chamado de Namu Amida Butsu. Ou seja, podemos pensar a Liturgia nos apontando para o resultado.

            Por termos nos encontrado com a Liturgia é que existe a possibilidade de conversão. É por isso que podemos afirmar que a Liturgia possui um poder inerente.

            A Liturgia, mais do que manifestação da Doutrina, está mais próxima da manifestação do Shinjin (Fé Verdadeira), do Namu Amida Butsu materializado. O que se nos manifesta como Shinjin, numa condição visível aos nossos olhos, como algo que nos confere intensa emoção, é a Liturgia. E a Liturgia expressa em palavras não poderia ser chamada de Doutrina? Neste sentido, talvez é normal afirmarmos que não possuímos a Fé Verdadeira – Shinjin a partir da nossa falta de confiança por não sabermos se temos ou não o Shinjin. No entanto, penso que a obtenção do Shinjin é executável partindo-se da premissa de que tudo é uma expressão do próprio Shinjin.

            Isso significa que não se trata de um universo onde não podemos receber os Ensinamentos sem o prévio entendimento. Em suma, é a manifestação de um mundo onde nossas cabeças se abaixam e desta maneira recebemos as palavras do Buda. Porque receber as palavras do Buda significa expressar a Tomada de Regúgio, expressa também o próprio Shinjin.

Portanto, não podemos afirmar passivamente que não é preciso compreender nada do que ocorre numa cerimônia, pois o entendimento pode ser adquirido através da transmissão do Ofumi (Epístolas do Mestre Rennyo), dos Hôwa (prédicas) e ainda nas conversas cotidianas trocadas com os Ministros do Dharma. Mas antes de mais nada é necessário termos a disposição em receber abaixando nossas cabeças. É preciso fazer entender que essa é a Liturgia do Jôdo Shinshû.

            A ‘forma’ que se expressa na Liturgia, já contém dentro de si o significado, mas talvez este modo de pensar, seja algo em que as pessoas da era moderna estão pouco familiarizadas.

Atualmente vivemos o dilema em que muitos Ministros do Dharma angustiam-se com a falta de tempo para dedicarem-se aos templos integralmente por possuírem outras profissões e então surge a questão: O que fazer?

            Do ponto de vista da Liturgia que se realiza como Liturgia por si só, ela ocorre porque existe um templo onde se realiza os ritos matutinos e vespertinos, ou seja a Liturgia se auto realiza, e está revestida de solenidade sagrada que já está preparada para nós. É importante que se divulgue mais sobre a existência de um local como o templo, sempre preparado e acessível para a realização da Liturgia, onde podemos ir a todo e qualquer tempo.

            E assim, mesmo com a intenção inicial de que a Liturgia “é realizada” [1] por nós, aos poucos nós começamos a perceber e recebê-la verdadeiramente como um trabalho incessante do Nyorai, seja em forma de transmissão do Dharma ou como no Ekô (Transferência de Méritos). Isso trata-se realmente do “Jûkakôin” [2]. É o Ekô realizado de lá para cá, é a Liturgia do “Gensô Ekô” [3], é a Liturgia que é realizada nos templos.



Notas da tradutora: [1] Normalmente utiliza-se o verbo ‘tsutomeru’ 勤める (verbo transitivo para servir, trabalhar, cumprir) significando ‘realizar’ uma cerimônia ou ofício religioso. Mas no Budismo Shin o verbo é usado na forma gramatical japonesa intransitiva ‘tsutomaru’ 勤まる, desta maneira entende-se que o rito/cerimônia se realiza por si só e não, realizada por alguém.

 [2] Jûkakôin 従果向因: Aqueles que atingiram o Satori, visando salvar todos os seres viventes, apresentam-se de inúmeras formas. É o voltar-se para as causas e condições 因 “In” priorizando-as mais do que para o resultado 果 “Ka” (Satori).

[3] Gensô Ekô 還相回向: Voto daqueles que mesmo renascidos na Terra Pura, retornam para este mundo Saha e guiam os seres viventes para juntos, ir-nascer na Terra Pura.



            Nós temos necessidade de ‘fazer algo eu mesmo’ ou ‘fazer uma prédica do Dharma compreendendo antes de falar’ mas há um profundo significado em tudo que existe previamente. Talvez devêssemos digerir melhor sobre o sentido da Liturgia que vem se realizando.

            Se afirmamos que a Liturgia em si ocorre porque nós a pensamos e iniciamos sozinhos, então poderíamos dizer que nós é que realizamos a Liturgia, mas isso é um equívoco. Por existir um local chamado de templo, com toda sua solenidade e ornamentos e ainda por cima por existirem fieis que comparecem, é que a Liturgia acontece.

            Fazemos tudo por achar que a nossa existência é algo natural, mas não há nada mais extraordinário do que isso e perceber a preciosidade de estarmos aqui e agora, é realmente o diferencial do Budismo Shin. E para nos fazer perceber isso é que existe a Liturgia e existem os templos.

            Quando estudamos a Liturgia, Recitação e Ritualística, mesmo inconscientemente, nossas cabeças se abaixam. Isso só ocorre quando nós recebemos os ensinamentos, quando internalizamos nossos estudos litúrgicos.

Tudo isso é representado pela Recitação e Ritualística e penso que através da sua mais correta expressão é que foram refinando-se ao longo da história. Portanto, voltando ao processo, a questão não é que se não há Shinjin (Fé Verdadeira), não é possível a Liturgia realizar-se.

Há sempre um desejo em querer acreditar em algo e o ser humano adota uma conduta de acordo com a dicotomia do bem e do mal, sempre atribuindo tudo ao Jiriki (Auto Poder), conscientemente.

Eu disse antes que se algo é iniciado por nós mesmos, pode ser dito que esse algo é realizado por nós, e em termos de Shinshû Otani-Ha, mesmo os paramentos a começar pelo Kessá (manto), passando pelas várias peças que são usadas para ornamentar o altar, cujas características foram transmitidas de geração a geração, neste contexto, quase não há nada que seja exclusivo do Budismo Shin, e assim não podemos afirmar que não temos nada em comum com as outras Escolas budistas.

Longe disso, qualquer pessoa que veja, pode reconhecer que se trata de modelos de estilo budista. Com apenas um rápido olhar, sem grandes explicações é possível perceber que se está num recinto sagrado budista, porque tudo nos mostra que está preparado e munido como tal. Aqui existe um sentido inicial. Acho que isso tem a ver com a questão do ‘receber’ solenemente [4] o que nos é concedido. Mas, estudando mais cuidadosamente, percebemos que os conjuntos de paramentos e ornamentos estão repletos de uma interpretação peculiar do Budismo Shin, qual seja, a noção do recebimento solene. Essa é uma particularidade única dos ornamentos do Budismo Shin. Mesmo que os ornamentos tenham base nas formas predominantes em todas as outras Escolas Budistas, nelas expressam-se o ‘trabalho’, exclusivo e próprio do Budismo Shin.

Penso se isso, na verdade não seria o poder do significado solene da Liturgia e da Recitação.



[4] Citação original: Quando estudamos o Budismo, procuramos percorrer a sequência ‘compreender para crer’. Mas quando se trata de estudar a liturgia, devemos obediente e respeitosamente, iniciar pelo recebimento da transmissão do ensinamento que nos é concedido pelo “Senpai” (veterano, superior, antecessor sênior, professor). Segundo o ‘Shinshû Sôden Gishô’ 相伝義書 (Transmissão dos Apontamentos do Budismo Shin) o estudo do Shinshû não segue a linha ‘compreender para acreditar’ mas em ‘acreditar para compreender’. Ou seja, devemos aprender que o ponto de entrada é receber humildemente o ensinamento que é concedido. É difícil nos distanciarmos da ideia de que eu acredito em algo porque eu compreendi e fui convencido. Mas antes de mais nada é muito importante aprender submissamente o que lhe é transmitido. Rev. Eijirô Ikeda



De fato, eu acho que foi com intuito de se mostrar que tudo que é trabalhoso, ou seja, muito sério, é importante.

Em se tratando dos utensílios e ornamentos, assim como na etiqueta ritualística, não são restritos à determinada Escola, não há algo que seja próprio do Budismo desde o início. Há relações tanto com as religiões indianas como também com o Taoísmo. Assim, não há que se falar em diferenças individuais, é importante dizer que tudo é expressão do sagrado.

A similidade dos ornamentos é importante porque causa nas pessoas o sentimento de reconhecimento, e assim permite que o Buda se manifeste no universo simbólico próprio de cada um de nós. Ou seja, os elementos componentes são matéria prima do universo em que vivemos e portanto neste sentido, são passíveis de serem falsos. Por isso é chamado de “Hôben como Corpo de Transformação do Buda”.

            Mas Mestre Shinran afirma que “É a Terra Pura, manifestada pelo Corpo de Transformação de Amida, como um hábil meio salvífico” e ainda resume: “Reverenciai o Pavilhão do Ensinamento, que é o local da prática do Caminho.” [5] Isto posto, consideram-se afirmações de extrema importância.



[5] O Pavilhão do Ensinamento, que é o Local da Prática do Caminho,

Onde se encontra a Árvore da Iluminação, adornado com as sete joias,

É a Terra Pura, manifestada pelo Corpo de Transformação de Amida,

Como um hábil meio salvífico.

Incontáveis são os seres das dez direções que aí vêm nascer.

Reverenciai o Pavilhão do Ensinamento, que é o local da prática do Caminho.

Jôdo Wasan VI – 3

Versão: Wagner Haku-Shin

A Verdade trabalha na forma de Hôben, ou seja, torna-se um Hôben. Como não existe outra forma da Verdade manifestar-se, nesse sentido, quando nossas cabeças se abaixam e percebemos que é a Verdade, é aí que finalmente nós compreendemos que somos falsos [6]. Por isso acho que a Verdade não se encontra em algum outro lugar.



[6] Falso como contrário de verdadeiro, que não corresponde com a realidade.



Isso significa que a Verdade toma forma. Diferentemente, no pensamento contemporâneo, somos levados por uma grande vontade de pensar que existe alguma coisa por aí em algum lugar, sem forma e que é a essência de tudo. E se compreendemos o menor dos significados dentro deste processo de investigação, passamos a pensar que qualquer coisa com ‘forma’, pode ser jogado fora. Esse é basicamente um pensamento baseado no Jiriki (Auto Poder) de cada um de nós. E conforme aprofundamos esse raciocínio, passamos a acreditar que excluindo-se o que não pertence ao Budismo Shin, restaria talvez, apenas o que poderíamos chamar de núcleo do Budismo Shin.

Isso ocorre também com o nosso ego. Dizem que se jogarmos fora tudo que não é necessário dentro de nós mesmos, restará o ‘eu’ limpo, é assim que pensamos que o Shinjin (Fé Verdadeira) é. Mas não é nada disso, Shinjin é sermos aceitos e recebidos do jeito que somos, assim mesmo como somos. E o que nos demonstra que o Buda manifesta-se no nosso mundo é a Liturgia, junto com as explanações dos Ensinamentos do Buda.

Não se trata de uma consequência de nossos próprios esforços, devemos tomar consciência de que o Nyorai vem ao encontro de nós, que somos iluminados de lá (o lado do Buda) para cá. Não deveríamos ser extremamente gratos por algo assim tão precioso?


儀式を考える真宗の荘厳とこれからの儀式のあり方



いま、さまざまなお話を伺って、それぞれ思い当たるなと思いながら聞いていました。私の生まれた寺も北海道ですが、函館と松前を結ぶ街道沿いにあるので、義盛さん(よしもり)の寺よりも、かなり南の方にあります。けれども、門徒の状況、寺の状況というのはよく似ていますね。また、さまざまな地域でお話しをする機会があって、皆さんのお話にあるようなことを、やはりよくお聞きします。

            こうした、寺や仏教そのもに対する危機感ということですが、これは私が教学研究所にいた頃から、いろいろ調べたり考えたりしてきました。例えば昭和三十年代に、日曜学校がたくさん誕生しました。それはやはり、先ほど釋氏さん(きくち)がおっしゃったような、子どもに来てもらって、次の世代を担っていく。それがうまくいった時期もあり、また難しくなる時期もあり、ということを繰り返し、現代に至っていると思います。
もちろん明治維新以降、教団における危機というのは何度もありました。そういう歴史の中で、いま再び、大きな危機がやってきているということだと思います。過疎過密などの問題もそうです。都会は都会で、池田さんがおっしゃったように、関係性が希薄になり、地方は地方で人がいなくなる。これは社会そのものが構造的に変化してきて、地方の共同体の中心に寺や神社があったという、かつての形が崩れてきた。そして、それとともに、寺や神社を中心にしていた仏事や神事がなされなくなってきた。この数十年での変化、これは本当に急激なものだと思います。共同体の崩壊ですね。儀式ということで言えば、それは家族葬、親族葬、直葬(ちょくそう)という言葉が出てきている葬儀の場で、如実に表れていると思います。
            宗門としては現在、そういう課題に対し、寺院活性化支援ということで、さまざまな支援活動と始めているわけですが、その基礎というか、基本ともなるところで、浄土真宗の教えを発信していくということがあります。その表現として、儀式もあると思うんですね。
            ここで一つ、会教区のことをお話しさせていただきます。私はブラジルに数回、仕事で行ったことがありますが、カトリックの盛んな国で、当地では、荘厳な儀式というものがまだ残っています。そういう地での開教ということもあり、現地の僧侶たちは、きちんとした儀式を執行したいという願いを持っています。そこで、現地の僧侶の発案から、本山の組織部国際室と本廟部式務所とで協議し、五年ほど前から海外開教使の儀式研修を始めました。そして、ブラジルでは近年、日系ではない現地の方が得度することも増えてきました。
これはあくまでブラジルの例ですけれども、きちんとした儀式をすることによって、信仰の入り口になるということがあるんですね。東洋に対する憧れのようなものもあり、そこは少し割引いて考える必要がありますが、やはりどこかで、そういう日常と離れた荘厳さというものを感じさせる儀式の意味というものが知られるわけです。
            これが日本ではどうかという話になると、ブラジルなどで起きていることは、時間を短縮して日本で起きていると思います。要するに、長年培ってきたもの(一世の日本文化)が急激に失われていくという方向性と、新しいものが生まれてくるという方向性。このことは、都市であっても、地方であっても、新たな門徒と出会っていくという意味では開教ともいえるわけで、そういう可能性のようなものはいろいろなところにあるように感じています。危機感を持って建て直していこうとする歩みですね。
            そういう中で寺という存在を考えるならば、先ほどブラジルの例を挙げたように、儀式の持つ力のようなものを再発見していけるのではないかと思います。儀式というか、例えば、手を合わせて頭が下がる、というようなことです。目に見える形にしたものが儀式であるわけですが、そういうものや場所は、いつでも求められているのではないでしょうか。そういう場所として寺というのは、まだまだ可能性もあるし、それを象徴するものとして儀式があるのではないかと思います。
            儀式というのは、そもそも人間が人間となったときからあると考えられています。私たちの「頭」というよりは、「身体」や「心」の深いところを揺さぶり動かす表現です。真宗で言えば、私たちの煩悩を沿った表現にまで、阿弥陀仏がなってくださっているということです。寺や袈裟、衣など、形があるものも同じことだと思います。そういう「形」「型」ということを少し軽視してきたのが近代という時代だったと思います。先ほどブラジルの話に少しつながりますが、浄土真宗の教えを広め伝えるという点では、そういう形に依った表現手段がもっと大事にされてよいと思います。どんな人にもお念仏にふれてもらえるような力、入り口となるような力が、複雑な議論に比べて、目に見える形やものに備わっていると思います。
            例えば、手を合わせるというようなことは、一人でもできる。そういう中に、この孤独な時代であっても、一人ひとりの人間に訴えかけてくるような力があるのではないでしょうか。
            真宗・仏教では、そういう儀式の在り方というものを「方便」という形でいただきます。私たちが阿弥陀仏と出遇っている姿を表しているということです。阿弥陀仏から呼びかけられ、出遇っている感動を形にしているわけです。出遇うということは、向こうから照らされているということです。儀式をすることによって救われるのではなく、救いを形にして現したのが儀式であるということです。儀式というのは因ではなく果です。どうしてもそういう感覚をもたずに参加する人もいますから、義盛りさんが最初におっしゃったように、果から因に戻るという方向で、「ああ、これがそうだったのか」と後から気づかされる。だから、先に形から入るんです。照らされる形、そこに入ることによって、その世界の意味を知る。そういう一つの方便なのだと思います。
            だから、そういうきっかけであっても受け止めてくださるというのは、池田さんがおっしゃっていただいた「如来から私たちの方に向かって説かれている」ようなことにつながっていくわけです。ある意味で自力的な思いで勤めた儀式ですら、仏の側が受け止めてくださるという。それが浄土真宗の他力の儀式ということになるのではないかなと。自力によってなそうとすることを否定していくのではなくて、その延長で転換がなされて、本来の意味が表れてくるというような気がするんです。
それを「こういうのは自力的だから駄目ですよ」と言って切り捨ててしまい、別の世界を求めることが、時折あるわけです。けれども、そうではなくて、儀式という、人間がある意味では自力的な思いによって供養しようとするところであってさえ、如来が現れてくる。先ほど近松さんが言ったように、供養しているつもりが、実は仏から案じられていたというようなこと。これはすでに、儀式にそういう形が表現されています。分かりやすく言えば、すでに私たちは手を合わせて頭を下げているわけですから。これが一番簡単な儀式だとも言えるわけです。そこで救いの姿を表しているわけですが、これはまさに南無阿弥陀仏という果ですね。つまり、儀式は果を示している。そのように考えられるわけです。
            儀式に出遇ってくださっているからこそ、また転ぜられる可能性もあるんですよね。それこそが、儀式の持っている力なんだと思います。
            儀式は、教学の表現というよりも、信心の表現、南無阿弥陀仏を形にしたものといった方が近いのではないかと思います。信心のすがた、ありようを目に見えるような、私たちに感動を与えるような形で表現しているのは儀式で、それを言葉で表現しているのは教学ということになるのではないでしょうか。そういう意味では、自分に信心があるかどうか分からないから自信がないというのは、当然なのかもしれません。ただ、信心の表現としてつくってくださったということを前提として執行することはできると思います。
            理解しないと受け取れないという世界ではないということでしょう。
            要するに、頭が下がって、そのまま、その言葉をいただいているという世界を表現しているわけです。仏の言葉をいただくということが、そういう意味では帰依ということを表していたり、信心ということを表現しているというようなことです。
            ですから、分からなくてもいいとは言えませんが、その部分については、『御文』や法話、あるいは日常の僧侶と門徒との会話を通して、私たちに伝えられていきます。でも最初は、まずいただく、頭が下がる、それが浄土真宗の儀式だよというようなことを知らせていくべきでしょうね。
            儀式に現れる「形」というものは、その「形」の中に意味がすでに含まれているわけですが、そういう考え方が現代人には少し馴染みづらいのかもしれませんね。
            ここまでの話を聞いていると、今日の集まりの皆さんには力量があるから、いろいろできているのだろうと思います。けれども、「うちは兼業だから時間もなくて」と悩んでおられる寺院や僧侶は、どうすればいいのだろうかということになってきます。
            それはやはり、「勤まる」という視点からいえばそこに寺があって、そこでお朝事なりお夕事といった儀式が行われている。そういう荘厳が整っている。そういうところにいつでも行けるんだということを、できるところで表現していくことが大切なのではないでしょうか。
            そして、そのことを「勤めている」つもりだけれども、それはやはり如来の説法、回向表現であって、いつでもはたらいていると受け止められてくる。それはやはり「従果向因」であり、向こうから回向される、還相回向としての儀式であり、寺であるということなのかと思います。
            我々には「自分で何ごとかをする」「分かって説明をしなきゃいけない」という欲求もあるけれども、それ以前から「ある」ということに意味がある。儀式が行われているということの意味をもう少し嚙みしめるというか。そういうことなのかもしれませんね。
            そういう儀式ができるということ自体も、自分一人で考えて創めったのなら、自分で勤めたと言ってもいいけれど、そんなことはあり得ない。この寺という場所があって、荘厳があって、それにお参りしてくれる門徒がいるから勤まるわけです。
            何か自分がいることが当たり前だと思ってやっているけれど、こんな不思議なことはなくて、こうしてここに居ることがありがたいというのは、やはり浄土真宗ですよね。そういうものとして儀式も寺もあるんでしょうね。
            [[声明儀式作法を習うというところで、無自覚であっても頭が下がっているんでしょうね。その教えを受けるというところに。]]
            そうですね。そういうことがあって、それを表現するのが声明作法であって、きちんと表現していこうということで、歴史的に洗練されてきたものだと思うんです。
            だから、順序の話に戻りますが、信心がなければできないという問題ではないんです。
信じたいという思いは、常にあります。人間はやはり善悪で行動するし、いつだって自力なんだと思います。その自覚ですね。
先ほど私が、自分で創ったのなら自分で勤めると言ってもいい、と言いましたが、真宗大谷派において依用してる衣、袈裟をはじめ、内陣荘厳などにつかわれているさまざまな仏具などでも、全く他の宗派と似ても似つかない、もう浄土真宗にしかないというものは、実はほぼないんですね。
そうじゃなくて、誰が見てもこれは仏教なんだという姿を、一目で多くの人が理解できる。多くを説明しなくても、ここが仏堂だということがまず理解されて、それが既に備わったものとしてまず見せられる。そこにまず意味があります。これは池田さんのおっしゃった「いただき」にも通じると思います。けれども、そこをよくよく学んでいくと、やはりその装束や仏具の中に、真宗の独特の解釈というか、いただきというものがそこに備わっているのだと思います。それが真宗の荘厳の特色ですね。一般的な仏教のすがたに依拠しつつ、そこに独自の「はたらき」を表していく。そういったものやはり、儀式や声明といった荘厳の意義、力ではないかと思っています。
実のところ、面倒なこと、つまり重いものとして、大事だということを示そうとしてきたということはあると思います。
先ほども話しましたが、仏具にしても作法にしても、宗派にとどまらず、仏教独自というものがそもそもないんですよね。インド宗教、道教などとも関係しあっています。そういうことでいうと、個々のものについてどうということではなく、それ全体が尊さを表現するということがとても大事なんでしょう。
先ほどもふれましたが、似ているということはある意味大切で、みんなが「ああ、そうだな」と思うようにできているというか。それは我々の表現の世界に仏が現れてくるというということなんでしょう。つまり、その素材は我々の世界のものなので、ある意味では偽物ともいえるわけですよね。「方便化身」といわれるのはそういうことなのだと思います。
けれどもそれは、「方便化身の浄土なり」と言われながら、「講堂道場礼すべし」と親鸞聖人はまとめられていて、だからこそ大事なんだという言い方をされているわけです。
[[真実は方便という形ではたらくわけですからね。]]
そうです。方便になるということですね。それ以外に真実の存在がないから、そういう意味でそこに頭が下がったときに、ああ、真実だ。自分は偽物だと分かる。そういうことがあるわけであって、真実がどこか別のところにあるわけではないと思います。
それが「形」になっているということですね。
それとは異なり、何か本質というようなものがどこかにあると考えたくなるのは、ある意味で近代的な考え方です。そして、そういうはたらきの意味さえ分かれば、そういう「形」のようなものは全部捨ててもいいと考える。それは我々の自力的な考え方なんですね。だから、それを突き詰めると、浄土真宗じゃないものを除いていったら、何か浄土真宗という芯のようなものが残るんじゃないかということになってしまう。
これは自我の立場もそうでしょう。自分の中の要らないものを捨てていったら、何かきれいな自分が残るという。それが信心だというような考え方です。そうではなくて、「このまま」いただかれているということが信心であるし、我々の世界に仏が現れているということを表しているのが儀式であり、教説であるということです。
そういったような、我々の延長ではなくて、如来の側からということを、意識していく。そういうことが「有り難い」ということなのではないでしょうか。