03/09/2019

Capítulo 2 Parte I - A Hesitação em proferir o Dharma 説法の躊躇

Texto: Rev. Futoshi Takehashi
Tradução e notas: Sayuri Tyō Jun
In: Shinran

            O Buda Shakyamuni, após atingir a Iluminação, hesitou em proferir seus Ensinamentos. Ele pensou que seria muito difícil proferir a Verdade em palavras e fazer as pessoas compreenderem o Dharma para o qual ele despertou. Este episódio é narrado por várias tradições budistas. Diante da hesitação do Buda Shakyamuni, Brahma, o maior dos deuses deste Mundo Saha, surge e roga-lhe que ensine e propague o Dharma. Este fato, desde antigamente, é chamado de “A Exortação de Brahma”. Segundo o Mahāvastu, é neste momento que o Hongan – Voto Original é proferido. Gostaria de iniciar analisando a postura hesitante do Buda Shakyamuni (O Honrado do Mundo) em proferir o Dharma.
          O Honrado do Mundo sentou-se sobre as raízes da árvore nyagrodha [1] e refletiu sobre o mundo e as pessoas que nele vivem: “O Dharma para o qual eu despertei é profundo, absoluto, sutil e de difícil compreensão, que não pode ser explicado em palavras, compreensível somente pelos sábios, e que não se adapta aos seres viventes do mundo. As pessoas deste mundo se regozijam com objetos de apego, aprendem que objetos de apego proporcionam-lhes prazer e exultam-se com esses objetos de apego. E exatamente por se regozijarem de objetos de apego, por aprenderem o prazer que lhes causam e por se exultarem, lhes é difícil o entendimento da Verdade, da Lógica da Originação Dependente (Engi no Dôri 縁起の道理), ou seja, que tudo está sujeito a causas e condições. Difícil é renunciar a todas às causas da sobrevivência e poder silenciar as práticas do passado [2] e assim compreender o desaparecimento de todos os seres e de todas as coisas do mundo. Difícil é o vislumbrar da aniquilação dos desejos, o distanciamento do apego [3], a extinção, ou seja, o Nirvana. E assim, eu não vou proferir o Dharma para estas pessoas. Elas não compreenderão.  Para mim, professar o Dharma é um esforço em vão. Assim sendo, ficarei sozinho, recolhido em silêncio na floresta”. (III, p. 314)

Notas da tradutora:
[1] Árvore nyagrodha, ou Ficus benghalensis, também conhecida como Indian banyan. Em japonês: nikuritsu-ju 尼拘律樹 ou nikuru-ju 尼倶類. A figueira-de-bengala é uma espécie de figueira endêmica de Bangladesh, Índia e Sri Lanka. Em sânscrito o seu nome é Vatavrkscha ou WataWrkscha. No português de Goa eram conhecidos como árvores da gralha. 
[2] Práticas do passado (Kako no Gyô 過去の行), Samskaras ou sanskaras é um termo sânscrito, muito usado no hinduísmo que significa impressão ou sob influência de impressões remanescentes (são as tendências inerentes remanescentes de alguma propensão instintiva que influencia a pessoa).
No Hinduísmo esta propensão é causada pelas vidas anteriores, dentro do conceito de reencarnação. No budismo, samskaras são os produtos da ignorância e condicionamentos inconscientes (vijnana). Na era pré-Budista o termo páli sankhara era usado para denotar uma estrutura causal complexa envolvendo o karma e dependências emergentes.
Samskaras são impressões derivadas das experiências passadas (prévias encarnações ou na vida atual) que influenciam as respostas futuras e o comportamento. No Dicionário do Hinduísmo diz-se que samskaras são "As impressões deixadas no subconsciente da mente por experiências (desta ou de vidas anteriores), que colorem toda a vida, sua natureza, respostas, estados mentais, etc." Fonte: Wikipédia
[3] Apego (jp. 貪愛 Ton-nai, sânscr. Tan-ha): Um dos ‘Três Venenos da Mente’ (Sandoku 三毒), a saber: Desejo/avidez = Ton-nai (貪愛) ou Ton-yoku (貪欲), Ira/ódio = Shin-ni (), Ignorância/ilusão = Guti (愚痴).     
            Hesitar em proferir o Dharma afirmando que “não é possível proferir este Dharma para ser compreendido pelas pessoas e assim libertá-las”, seria como restringir para si e fazer distinção do Dharma. [1]
Nota do autor [1]: distinção como nosso conhecimento normal das coisas, aquilo que o “eu” interpreta, conjectura ou decide sobre alguma coisa.
 
E ainda, seria fazer discernimento afirmando que os seres viventes não teriam capacidade de compreender o Dharma. Neste ponto, é que o Dharma se apresenta como algo “a ser transmitido para os outros seres humanos pelo Buda Shakyamuni.” Isso nos parece ser um pensamento óbvio, porém, aqui é onde realmente surge uma grande armadilha para aqueles que se encontraram com o Dharma. Em verdade, mesmo que queiramos transmitir o Dharma, o Dharma “não pode ser transmitido”. O Dharma é algo que “se transmite” por si só. Quando pretendemos transmitir o Dharma, não é mais o Dharma, é apenas uma concepção do que chamamos de Dharma, é o nosso discernimento atuando, e passamos a transmitir o que pensamos ser o Dharma. Tomar conhecimento disso, afastar-nos da nossa consciência distintiva é que é a Sabedoria Transcendental – Prajnaparamita, ou seja, a Sabedoria Búdica.
          Para o Budismo Mahāyāna isso se apresenta como questão das Práticas do Bodhisattva. Esta questão pode surgir também, por exemplo, quando pensamos que ‘temos’ alguém que nos oriente, que seja nosso mestre. Por essa razão, menciona-se que “não existe no ser humano, um "eu" permanente e imutável” assim como “os fenômenos (dharma) não possuem um "eu" permanente e imutável. [4]
Nota da tradutora: [4] O conceito de “Muga無我 refere-se a “Anatman”, geralmente traduzido por “Não-Eu”. “Atman” no Hinduísmo refere-se a um “eu” perpétuo e imutável que reencarna no Samsara. O Buda Shakyamuni pregou o Nirvana como libertação deste processo. Equiparar “Anatman” com “não-eu” causa equívocos conceituais como o de qualificar Budismo como niilista. A palavra dharma quando transcrita com ‘d’ minúsculo significa, “fenômenos”. Grafada com ‘D’ maiúsculo significa Lei, Ensinamentos do Buda. 

            Aqui, o Buda Shakyamuni julga que o conhecimento obtido por ele sobre o Princípio da Originação Dependente, “não é compatível com o pensamento humano, não pode ser expresso em palavras”.
            A narrativa discorre aqui, que conforme o pedido de Brahma, de Indra e todos os outros deuses, o Buda Shakyamuni realiza seu primeiro sermão aos 5 monges [5] (Primeiro Giro da Roda do Dharma), marcando o nascimento do primeiro Sangha. Podemos pensar o nascimento do Sangha, como a consagração do Dharma com o qual o Buda Shakyamuni se encontrou.

Nota da tradutora: [5] Antigos companheiros de ascetismo de Shakyamuni, que tornaram-se os primeiros discípulos do Buda.
Primeiro Giro da Roda do Dharma: Shotenbôrin 初転法輪.
            Penso que a era em que nasceu o Buda Shakyamuni, em termos históricos pode ser considerado a Era das Religiões. Desde os tempos mais antigos vinha ocorrendo o declínio da cultura religiosa, e surgiam novas religiões como as dos “6 Mestres Heterodoxos” [4] e mesmo o Budismo. Provavelmente isso ocorreu devido ao fato de além de ser uma época conturbada, somou-se a ela um período de muita inquietação. Será que não podemos dizer que naquela época de profunda instabilidade é que surgiram vozes clamando por um Buda? Naquela época, de acordo com o modo de vida das pessoas, predominava a corrente de pensamento do Samsara, ou seja, “nascer, morrer e renascer como resultado de suas boas ou más ações”. Em contrapartida, as novas religiões visavam a libertação pela Iluminação, o Nirvana, ou seja, a libertação do Samsara. [2]

Nota da tradutora: [4] Rokushi Gedô 六師外道: 6 grandes pensadores, contemporâneos do Buda, a saber: Ajita Kesakambalin, Pakudha Kaccayana, Purana Kassapa, Makkhali Gosala, Sanjaya Belatthiputta, Nigantha Nataputta.

Nota do autor [2]: Em japonês: Rin-ne 輪廻, Samsara. Também pode ser traduzido como Nascimento-e-Morte. Indica as inúmeras transmigrações de acordo com os atos realizados em vida, e mesmo hoje em dia existem inúmeras pessoas que realmente creem nisso, especialmente os indianos e tibetanos. Na atualidade, temos o Espiritismo que prega sobre vidas passadas antes do nascimento e a vida pós-morte, além de outras novas religiões como a “OM – A Verdade Suprema” que têm o mesmo pressuposto.

            Os seres humanos condenados a uma vida fadada à morte, idealizaram a salvação através do conceito da transmigração, que é chamado de “Samsara”. Na verdade, isso não se trata em nada, de salvação futura. Apesar de tudo, devemos descobrir ‘o significado do próprio nascimento’ vivendo aqui e agora ‘uma vida à espera da morte’. Por causa da morte, perdemos de vista o significado da vida que vivemos agora. E para garantir um futuro melhor, pressupondo-se que nossas boas ações agora, se revertam para um bom futuro, empenhamos todos os recursos no presente. Assim, a nossa vida irremediavelmente condenada à morte, no agora passa a ser aceitável e significativa. Desta maneira, consigo me aceitar como alguém que tem como autoimagem, um eu que não reconhece que está morrendo. Não há nada mais doloroso do que possuir dentro do coração a divergência de não poder aceitar a si mesmo.
            Pode-se remontar isso também ao passado. Para se aceitar as circunstâncias atuais, procuramos suas origens nos atos do passado. Mesmo parecendo um absurdo, se as causas forem atribuídas a um passado desconhecido, é possível aceitar esse absurdo. Essencialmente, a existência do ser humano é algo insensato. Sem temer ser mal interpretado, podemos afirmar que partindo-se do nosso conceito de valores, não há que se falar em muita igualdade.
          As diferenças das nossas próprias capacidades como as diferenças de nascimento, são muito graves, assim como as diversas maneiras de viver de cada individualidade, não foram algo escolhidas por nós. Por isso, levamos uma existência em que invariavelmente nos permitimos dizer aos nossos pais que “não me lembro de ter pedido para nascer”. Apenas podemos dizer que quando nos demos conta de perceber a nós mesmos e a nossa própria existência, nós já existíamos assim mesmo como somos, e consideramos isso como algo não razoável. Podemos dizer que é por isso, que o ser humano se esforça tanto. Com certeza, é assim que o ser humano age. Porém, nem todo esforço é sempre recompensado, e aqui se é levado pela ideia de vidas anteriores.
          O sujeito se autoconsola afirmando: “Você não é responsável por sua vida não ser como você pensa que deva ser, tudo é resultado das suas ações na sua vida passada”, ou ainda “pessoas que levam uma vida feliz e sem sofrimentos agora, é devido aos bons atos praticados na existência passada”. E assim, contrapondo-se àqueles que são felizes mesmo sem se esforçarem, mitiga-se o coração com pensamentos como “se não se esforçarem agora, serão infelizes no futuro”, reconfortam-se olhando por cima dos seus complexos de inferioridade. E desta forma, de algum modo, procura-se aceitar a própria existência inaceitável.
            Entretanto o Samsara não passa apenas de um triste esforço humano, é algo muito sombrio. Porque no nosso interior carregamos uma cisão e por isso, na verdade, não obstante o “eu” ser a essência da vida humana, não aceitamos essa vida, a desvalorizamos, a julgamos e a odiamos. Ocorre o mesmo com relação às outras pessoas. Ou vamos nos aproveitar delas ou vamos julgá-las, é só isso que conseguimos com nossos esforços. Evitamos a todo custo um confronto com nós mesmos, apreciamos do alto, e de algum modo, procuramos satisfazer o nosso ego, criticando e tentando convencer a nós mesmos.
            O Buda Shakyamuni nomeou esse modo de vida como “sofrimento”. O Samsara é sofrimento, ou seja, ele afirmou que a existência humana em que é preciso viver pensando no Samsara, é sofrimento.
            Foi nessa época que surgiram muitos pensadores. [3] Por exemplo, da mesma forma, hoje em dia existem aqueles que afirmam que "não existe Samsara", porque não são os atos humanos bons ou maus que determinam graças ou castigos. Ou seja, que nada determina o próprio nascimento futuro, que não se sustenta o conceito de culpa para o ser humano verdadeiro. Havia aqueles que alegavam que se transmigrar conforme o determinado no Samsara, a libertação [5] ocorre naturalmente.
O Buda Shakyamuni afirmou que o Samsara é sofrimento, e a partir daí, é necessário buscar a libertação deste sofrimento. Isso apresenta-se como os “domínios da serenidade incondicionada”, ou seja, Nirvana. Em termos didáticos de estudos religiosos, está fundamentado no conceito de “Não-Eu”, isto é, que não existe nada para renascer.

Nota do autor [3]: Como os 6 Mestres Heterodoxos, e as 95 espécies de filosofias ou religiões heréticas e não-budistas na Índia da época do Buda. O próprio Budismo surgiu nessa época como uma nova religião.

Nota da tradutora [5]: Em japonês: ‘Gedatsu’ 解脱. Em sânscrito: vimokșa, vimukti.

            Por essa razão, não seria possível também afirmar-se que Shakyamuni manifestou-se no mundo como Buda, para aqueles que buscam a salvação em meio à apreensão de uma vida em que não há outra escolha, a não ser viver pensando no Samsara? É exatamente por este motivo que Shakyamuni tornou-se um Buda, vendo nossa apreensão como sofrimento, tomou para si, o Voto para a nossa salvação.
            Essa apreensão ou intranquilidade tem sua origem na visão de mundo baseado no “eu”, ou seja, no modo de viver do ser humano que tem como pressupostos afirmações como “existe um mundo” e que “eu vivo”. Em verdade, trata-se das origens do Samsara, ou melhor, do sofrimento, que é esclarecido através do Dharma obtido pelo Buda Shakyamuni. E o Dharma que o Buda Shakyamuni procurou transmitir, buscando desfazer ilusões, precisava ser apresentada com base nas palavras produzidas pelo “eu” em si – origem fundamental do sofrimento.
Querendo proferir o Dharma baseando-se nessas palavras, pareceu impossível para o Buda transmiti-lo e assim ocorreu a hesitação do Buda. Ele se viu paralisado. 
            Aqui, trata-se também da questão dos Graus de Retrocesso ou Não-Retrocesso [6] do Buda.

Nota da tradutora [6]: Grau ou Estado de Não-Retrocesso (em japonês “Futaiten不退転, em sânscrito: Avinivartanīya). Quando atingido este grau, obtém-se a garantia da plena realização do Caminho Búdico. Na trajetória do praticante do Budismo, diz-se do momento em que é alcançado um entendimento a partir do qual não existe mais a possibilidade de retrocesso; no sistema do Budismo Mahāyāna, corresponde ao sétimo dos dez graus que constituem o Caminho do Bodhisattva.

Podemos certamente afirmar, que Buda Shakyamuni não incorreu no Grau de Retrocesso porque ele proferiu o Dharma neste mundo. E que é por esta mesma razão, que se diz que Shakyamuni foi um Bodhisattva que atingiu o Grau do Não-Retrocesso. Porém na narrativa, ao contrário, é expresso que Shakyamuni realizava desde muito antes as práticas como um Bodhisattva que atingiu o Grau do Não-Retrocesso. Como foi mencionado antes, é no Grau de Retrocesso que havendo um “eu” e havendo o Dharma, nasce a necessidade de transmiti-lo a alguém, e esta torna-se a base da existência do nosso objeto de conhecimento. No Mahāvastu temos as seguinte passagens:
            “Para os Bodhisattvas do primeiro grau (e justamente por aí estarem) terem retrocedido do segundo grau, há uma razão. E o que seria esse motivo? A ideia de desfrutar todas as existências.” (I – Página 79)
            “Para os Bodhisattvas do terceiro grau retrocederem do quarto grau, existem 14 razões. (...). Mesmo tendo previamente realizado seu Voto Universal, não profere o notável Ensinamento. (...). É proferido que o Buda e o mundo são iguais.” (I – Página 96)
          “Desfrutar todas as existências” significa admitir a existência de um “eu” que pensa num conceito como de Samsara, mas que vive almejando uma boa continuidade nos ciclos de Nascimentos-e-Mortes. Neste sentido, o modelo de Bodhisattva que atingiu o grau do Não-Retrocesso que chegou a proferir o Dharma, na verdade trata-se do Buda Shakyamuni como um Bodhisattva.
            O Buda Shakyamuni rompeu com a hesitação de proferir o Dharma, e ensinou o Dharma. Aquele que profere o Dharma é chamado de Buda. Não sendo desta forma, seria um Pratyeka-buddha [5]. E assim sendo, como o Buda Shakyamuni pôde se lançar na tarefa de proferir o Dharma? Sobre isso, gostaria de pensar a partir do conceito do Hongan – Voto Original.

Nota da tradutora: [5] Pratyeka-buddha, aquele que atingiu a Iluminação ou aquele que se encontrou com o Dharma dos 12 Elos da Originação Dependente sem a presença de um Buda ou um Mestre e permanecendo solitário.

 
Primeiro Giro da Roda do Dharma


説法の躊躇



釈尊は成道後、説法を躊躇した。自分のさとった法、真理をことばで説いて、人に理解させることは困難である、と考えたのである。これは種々の仏伝にとかれている。そのときにこの娑婆世界の主宰神である梵天(ブラフマン)が現れて、説法を勧請(かんじょう)した。このことは古来「梵天勧請」と呼ばれてきた。『大事』にはこのときに「本願」が説かれている。まず釈尊(世尊)の説法の躊躇のすがたから見てゆきたい。

      世尊はニャグローダ樹のもとへ行き、その根元に安座し、世間について思いをいたした。「私が目覚めたこの法は、深遠、完全、微妙、難解、ことばで説明できるものではなく、智者にのみ知られ、一切の世間と適合しないものである。執着の対象を喜び、執着の対象に快楽をおぼえ、執着の対象に歓んでいるこの世の人々は、執着の対象を喜び、快楽をおぼえ、歓んでいる故に、この「これを因・縁として有る」という縁起(えんぎ)の道理、一切の生存の因を捨てること、過去の行を静めことによる一切法の断滅、渇愛の滅尽、貪愛からの離、滅、涅槃は見がたい。そして私はその人々には説かない。彼らは理解できない。それ(説くこと)は私にとっては徒労である。それ故、私は一人、沈黙して森林に住していよう。(III 三一四頁)

            説法を躊躇するとは「この法を人に説いて理解させ、解脱(げだつ)させることができない」と法を自ら限定し分別 <*分別とは私たちが普通にする認識のこてで、何かを「私が」理解したり、推測したり、決めたりすることである。> したことになる。また衆生をも「法が理解できないもの」であると分別したことになる。そこで、法は「釈尊が他の人間に伝えるもの」である。これは私たちには当たり前の考え方である。実はこれこそが法に出会った人間が陥る大きな落とし穴である。事実、法は伝えようとしても「伝えられない」のである。法は「伝わる」ものなのである。自分が伝えようとしたときには「法」ではなく「法という想」、分別つまり、自分の考える法において伝えることになる。そのことを知り、分別を離れるというのが般若波羅蜜・智慧である。

それは大乗仏教では菩薩行の課題として示されている。それはたとえば導く相手が「いる」と考えたときにも起こることである。それ故に「人無我」・「法無我」ということが述べられている。

            ここでは釈尊が自らの得た「縁起の法が世間の流れに適合しない、ことばでは示すことができない」、と判断していることになる。

            物語はここで梵天あるいは、帝釈、諸神などの懇請によって、釈尊は五比丘に説法をなし(初転法輪しょてんぼうりん)、はじめて僧伽(サンガ)が生まれるということになる。その僧伽の生成によって釈尊の出会った法が証明されたと考えることができる。

            歴史的に言えば釈尊の生まれた時代は宗教の時代であったと言えると思う。古くからの宗教文化が衰えてきて、六師外道や仏教などの新しい宗教が起こってきた。それは現代の混迷した不安の時代と重なる部分があるかもしれない。その不安の深さが仏を呼び起こしたと言えるのではないだろうか。つまり当時盛んになってきた「罪や功徳の結果として生まれ変わり死に変わりする輪廻」を考えるような人間の有り方に対して、そこからの「解説」つまり解放を新しい宗教は目指したのである。

<*輪廻とは「生死」とも漢訳される。死んではまたその生前の行いによってさまざまに生まれ変わることを指す。今でも実際にこれを信じている人は多数存在する。特にインドやチベットではそうである。最近の、前世や来世を語るスピリチュアリズムなどもそうであるし、オウム真理教や他の新新宗教などのも同じ前提を持っているものが多い。>

            死んでゆく命を持っている人間が考え出したすくい、それが生まれ変わりであり、「輪廻」と呼ばれる。実はこれは何も未来のすくいではない。結局は、今ここで「死を持つ命」を生きている「私の生の意味」を見出すことである。死によって今生きている人生の意味が失われる。それに対して、未来を想定して、善いことをすれば善い未来が来る、今そのための手段となる。それによって死ななくてはならない自分の人生の今を、意味あるものとして受け取ることができるのである。死んでゆく自分という認められない自己像を持っている自分自身を受け取ることができるのである。自分を受け取れないということ、自分自身の中に不一致を持つことは何よりも辛いことである。

            これは過去にも遡る。今現在の境遇を受け取るために、その原因を過去の行為に見るのである。理不尽なことでも、自分の知らない過去に原因があれば、その理不尽さを受け取ることができるのである。本来、人間の存在は理不尽なものである。誤解を恐れずに言えば、私たちの価値観からするととても平等であるとは言えない。

能力や生まれによる違いなどは厳然とあるし、それぞれの個人のあり方は自ら選んだものではない。そのために「生んでくれと頼んだ覚えない」と親に言わねばならない存在なのである。自分自身のあり方は気がついたらそうであった、としか言えないものである。不条理なのである。だから人間は努力するのだ、と言われる。確かにそれが人間である。しかし努力は報われるとは限らない。そこに前世が持ち込まれる。

「君の人生が君自身で思ったようではないのは、今の君の責任ではないのである。過去の世の君の行為の報いである」。また「苦労しなくても今幸せな人は、過去の生涯で善を行ったからである」と言って、自身を慰めるのである。そして今、努力なしで幸せになっている者に対して、「今努力が足りないので未来には不幸になる」と考え、見下し、劣等感を慰め、心を鎮めるのである。こういうかたちで、今受け取れない自分の人生をなんとか受け取ろうとするのである。

            つまり輪廻とは人間の悲しい努力なのである。暗いのである。自分の中に分裂を抱えているから、本来、人生の内容が自分であるにもかかわらず、その人生を受け取らず、自分自身を卑下し、裁き、嫌うのである。他の人に対しても同様である。利用するか、裁くかしかできない。自分自身との対面を避け、上から眺めて評論している自我を何とか満足、納得させようとしているのである。

            釈尊はその生き方を「苦」であると説いたのである。輪廻は苦である、つまり輪廻を考えて生きなければならない人間の人生を苦であるとしたのである。

            そこにたくさんの思想家が現れた。<*六師外道、九十五種の外道などがそうである。仏教も同じく新しい宗教である。> たとえば現代の我々が考えるのと同じく「輪廻など無い」とする者や、罪や功徳となるような人間の行為の善悪などない、つまり何をしても自らの将来の生まれには関係ないという者、物質である人間には罪の観念など成り立たないという者、決まっただけ輪廻すれば自然に解脱するなどと主張する者たちがいた。釈尊は、輪廻は苦であるとして、そこからの解脱が求められるべきものとした。それを涅槃という寂静の境地として示したのである。それは教学的に言えば輪廻するものなど何も無い「無我」であることに根拠を持っているのである。

            それ故に、そのような輪廻を考えて生きざるを得ないような人間の持つ不安、すくいへの求め、願いが釈尊を仏としてこの世に出した、とも言えるのではないだろうか。その不安を苦と見て、すくいへの願いを我が物として生きたからこそ釈尊は仏と成ったのである。

そういう「不安」の根本にあるのは「我」にもとづいた世界観、つまり「私が生きている」「世界がある」ということが前提となっている人間の生き方である。それは実は釈尊の得た法が照らし出す、苦・輪廻の原因である。そして釈尊の伝えようとする法は、その迷いを解こうとして、その苦の根本の原因である、その「我」が作り出してきた「ことば」に拠って表現されなければならない。それは我そのものである。その「ことば」によって説法しようと考えたから説法不能、説法躊躇にいたったのである。釈尊は立ち止まってしまった。

            このことは釈尊が退転するかどうかという問題でもある。この世においては、説法したのだから退転しなかった、だからこそ不退転の菩薩であったと言い得るのである。しかしそれは逆に物語としては、既に不退転の菩薩として実践してきたからだという表現となる。退転とは実に先に述べたように、自分がいて、法があって、それを誰かに伝えなければならないという、私たちの対象認識的あり方がその根拠になるのである。『大事』には次のような表現がある。

            第一の段階にある菩薩たちが第二の段階(にいったとしてそこ)で退転するには一つの理由がある。その一つとは何か。諸有を享受する想を持つことである。(I 七九頁)

            第三の段階にある菩薩が第四の段階で退転するのに十四の理由がある。...... 以前に誓願していても偉大な教説を説かないこと。...... 仏と世間とが等しいと説くこと。(I 九六頁)

「諸有を享受する」というのは、輪廻を考えているような「私」の存在を肯定して、よい生死の続くことを願って生きていることである。また「説法しないこと」なども上げられている。そういう意味では説法するにいたった不退転の菩薩のモデルが、実は菩薩としての釈尊なのである。

            釈尊は説法の躊躇を破り、説法した。説法するものを仏と言うのである。そうでなければ独覚である。それでは何故、釈尊は法を説くことに踏み切ることができたのか。それについて本願ということから考えてみたい。


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