27/11/2019

Resumo da prédica para o Hô On Kô no Templo Apucarana Nambei Honganji - Rev. Masato Uranishi

Boa tarde, meu nome é Masato Uranishi. Uranishi é um sobrenome diferente e difícil de guardar, por isso prefiro que me chamem de Masato. 
Estou há 6 meses no Brasil e ainda não entendo português.
Gostaria de iniciar minha prédica perguntando, o que seria o Hô On Kô para vocês?
De uma maneira simples, é o Rito de Ação de Graças em memória do Mestre Shinran, Patriarca Fundador da nossa Ordem. Portanto, é o Hôji, ou Rito Memorial que este ano completa 758 anos de passamento do Mestre. Normalmente realizamos ritos memoriais de 50 anos e até de 100 anos, mas um Hôji de mais de 700 anos de falecimento, é porque obviamente trata-se de uma pessoa muito especial. E é assim através desta cerimônia é que mantemos a memória viva do Mestre Shinran. Esta é justamente a finalidade de um rito memorial, ou seja, relembrarmos de uma pessoa. Além de ser a oportunidade de nos encontrarmos com os Ensinamentos budistas, nos lembramos daqueles que já faleceram.

Diz-se que “mesmo que a pessoa morra, sua influência, continuará viva”. Portanto o Hô On Kô é a oportunidade de sabermos mais sobre o Mestre Shinran.

Gostaria que vocês vissem a imagem do Mestre Shinran no Rokkakudô em Kyôto. Esta imagem mostra o Mestre Shinran aos 29 anos de idade. Muitas pessoas estão representadas na imagem, muitas dessas pessoas, seguidores do Mestre, foram posteriormente exiladas, mortas ou proibidas de recitar o Nembutsu. Foram oprimidas por outras escolas budistas que temiam o avanço da doutrina da Terra Pura. Mas apesar disso, essas pessoas sentiam-se salvas pelos Ensinamentos que o Mestre Shinran transmitiu para todas elas.

Muitas pessoas foram mortas e outras exiladas por causa da ‘religião’. O Brasil é predominantemente católico, mas se nós Shin budistas passássemos a falar mal do catolicismo, isso é um comportamento que não condiz com o budismo, não podemos dizer que isso é ‘religião’. Mestre Shinran dizia que a salvação é para todos, sem exceção. Uma religião que suprime outras pessoas, que discrimina, não pode nem merece ser chamada de ‘religião’.

Gostaria de falar-lhes também sobre algo que me ocorreu estes dias. Vou falar sobre a tábua de cortar, aquela que usamos na cozinha para cortar carne, peixe, legumes. Eu estava cortando chashu (carne de porco assada usada para acompanhar lámen) em cima da tábua, avaliando os pedaços que cortava, ora discriminando como fatia macia, fatia gordurosa, fatia saborosa, fatia dura não tão gostosa... Quando me dei conta de que aquele pedaço de carne não era só comida. Era vida, a vida do porco. Mas eu me esqueço disso e fico avaliando e discriminando. Vocês também não fazem o mesmo? Quando vocês cozinham para os filhos, netos, pensam na vida que foi sacrificada para alimentar sua família? Vocês percebem que tudo é vida? Dessa maneira, a tábua também contêm o ser humano.

Quando nos encontramos em algum lugar, ou mesmo assistindo TV, é comum que logo passemos a falar mal de alguém. É como colocar a pessoa sobre a tábua e começássemos a cortá-la, dizendo que isso é bom, aquilo é ruim, o que gosto ou não gosto naquela pessoa, discriminando-a. Ou seja, falar mal de alguém é deixar de considerar a pessoa como gente. E assim seguimos ferindo as pessoas.

Vejam novamente a imagem, o Mestre Shinran olha diretamente para as pessoas, ele não discrimina, ele oferece o Ensinamento para todos. Há um episódio muito interessante na vida do Mestre que o deixou realmente bastante comovido. Aos 26 anos de idade, no Hieizan ele acompanhou uma jovem mulher até um determinado ponto da montanha onde não é permitido que as mulheres ultrapassem. Nessa época havia um entendimento no Budismo de que as mulheres não obteriam a salvação pelo simples fato de serem mulheres. A jovem desafia Shinran dizendo-lhe que o Budismo era uma religião só para os homens, haja visto que só os homens se salvam. E ela pergunta se ele não estaria discriminando ao negar a salvação para as mulheres. É certo que este encontro marcou profundamente a vida do Mestre Shinran.

Apesar de ter sido uma pessoa que carregava profundos sofrimentos, Shinran considerava com muito respeito qualquer pessoa, procurando, a partir do encontro com a jovem, não discriminar ninguém, olhando cada um como realmente é.

Este ano no Hô On Kô do Betsuin, conheci uma pessoa que muito me impressionou. É um jovem nikkey que trabalha no Japão e participou dos ritos. Me disse que no Japão perguntam se ele é estrangeiro. E no Brasil, também perguntam igualmente se ele é estrangeiro. E que isso o incomodava muito, pois afinal, o que ‘eu sou’? Onde quer que ele vá, sente-se um estrangeiro. Não existe uma fórmula que defina o que é uma pessoa, mas nós medimos as pessoas segundo nossos critérios, com nossa régua de juízo de valores, e pensamos que estamos certos, mas com isso nós apenas magoamos as pessoas. Achar que ‘eu estou certo’ é por onde começamos a magoar os outros. Nós 'cortamos' as pessoas com a faca de nossos valores. Levar uma pessoa a duvidar de ‘quem sou eu?’ me causou um grande choque.

Vejam na imagem o olhar direto do Mestre, vocês estão realmente vendo as pessoas como ele? Estão realmente encontrando-se com as pessoas como fez o Mestre Shinran?

Talvez vocês mais tarde, esqueçam-se de tudo que falei hoje, mas tudo bem! Esse é um bom motivo para vocês voltarem ao templo para perguntar e saber mais sobre o Budismo.

Certa vez um Mestre perguntou: Por onde se escuta o Ensinamento? Pelos ouvidos? Todos assentiram, mas o Mestre disse: Não. Nós podemos escutar os Ensinamentos através das pernas. É andando até o templo que escutamos os Ensinamentos. As nossas pernas nos trazem até o templo e é no templo que nós nos encontramos e ouvimos os Ensinamentos.

Então esqueçam o que eu disse hoje e voltem quantas vezes quiserem e precisarem para escutar os Ensinamentos e juntar as nossas mãos em reverência. Aqui Wagner Sensei e Sayuri Sensei estarão sempre no templo, dispostos a ensinar e aprender juntos com todos vocês.

Muito obrigado pela oportunidade de estar aqui com todos. Gostaria ainda de agradecer ao Fujinkai pela comida tão gostosa, de poder brincar com os cachorros, os pets do templo. Foi um encontro muito especial.



報恩講法話
2019.11.24 アップカラナ
 皆さんは、報恩講とは何か知っていますか?報恩講とは、浄土真宗を開かれた親鸞聖人の法事です。今年は758回忌になります。

法事というのは、亡くなった人をご縁として教えを聞いていくと同時に、亡くなった方の生き様を訪ねるという意味があります。ある方は、「人は死んでも、その人の影響は死なない(Mesmo que a pessoa morra, sua influência continuará viva.)」とおっしゃいました。ですので、今日は皆さんと一緒に親鸞聖人の生き様を訪ねていきたいと思います。

皆さんにお渡しした一つの絵をご覧ください。この絵は、親鸞聖人が29歳の時に六角堂というお寺の観音様にお参りしている時の絵ですが、親鸞聖人は、観音様を見ていません。お寺に来ておられた方々を、じっと見ています。ここでは、罪人や、障害者が描かれています。そういった方々は、世間的に差別され、国からも見放され、当時の宗教からも見放された人々で、価値が無い存在とされていました。その方々を見ている親鸞聖人はどういう気持ちだったのでしょうか。

 皆さんは「まな板」をご存じですよね? ご存じの通り、まな板は、野菜や肉・魚・フルーツなどを切ったりする時に使います。この間、私は、ラーメンのチャーシューを作るために豚肉をまな板の上に置いて、切っていました。「この部位は、おいしそうだなあ」とか。「ここは脂が多いなあ」とか思いながら切っていました。でも、よくよく考えると、豚は立派な命です。私は、命を忘れて、おいしくできるかどうかばかり考えていました。皆さんは、野菜や肉・魚・フルーツも命だと思って、切ったりしていますか? たぶん、こういうことをいつも考えている人はいないんじゃないかと思います。

 そして、私たちは、この「まな板」に人間も置いてしまっているのです。自分にとって嫌いな人とか、都合が悪い人をまな板の上に置いて、「あいつは使えない」「あんなことする奴は人間じゃない」などと考えて、言われている人の痛みなど全く考えないんです。特に、何人かで集まると、人の悪口ばかり言ってしまったりしませんか? そういう風にして、私たちは自分自身が持っている価値観の包丁で、価値が有るか無いかを判断して、悪口ばかり言ったりしてしまっているのです。

 この間、私は印象的な方とお会いしました。その人は日系人で、今は日本の東京で働いています。その方は、日本にいる時は、「外国人ですか?」と言われるそうです。いくら、日系人の方でも、ブラジルで生まれて、ブラジルで暮らしていたので、見た目の違いがあります。そして、その方はブラジルに戻った時には、ブラジルの方からも「外国人ですか?」と言われたそうです。その方は、「日本でも外国人と言われ、ブラジルでも外国人と言われる。私は何人ですか?」とおっしゃっていました。とても印象的な言葉でした。「日本人らしさ」や「ブラジル人らしさ」という価値観の包丁で切られてしまった方の、悲しみに満ちた言葉が、「私は何人ですか?」という言葉のように、私は感じました。皆さんの中でも、同じことを感じたことがある方はおられると思いますし、もしくは、自分自身の価値観を押し付けて、人を傷つけた経験はあるのではないでしょうか?

 親鸞聖人の絵の話に戻りますが、この絵の時の3年前に、親鸞聖人はある女性と出会いました。その女性から親鸞聖人は、「あなたは差別者ですね」と言われたのです。当時の仏教においては、女性は助からないとされていました。その仏教を信仰していた親鸞聖人にとっては、この女性との出会いは、きっと忘れられないものだったと思います。そして、この女性からの「あなたは差別者ですね」という一言によって、自分自身が人を差別して生きてしまっていることを知らされたのでしょう。だからこそ、親鸞聖人は本当に人と人とが出遇っていく道を求められました。

この絵の中での親鸞聖人は、国や宗教から見放されながらも生きる人々の中に、人間の尊さを感じとったのでしょう。私自身、人の尊さを感じられなくて生きています。都合が良い人に対して尊さを感じることはありますが、都合が悪い人がいると、尊さなどなかなか感じられないんです。この絵の親鸞聖人を見ていると、私はきっと怒られると思います。「人の尊さを感じなく生きてどうする!!」と親鸞聖人に怒られると思います。でも、だからこそ、親鸞聖人の教えを聞いていかなければならないなと感じます。

私たちは、人は尊敬に値することを、忘れてしまうのです。日常生活の中では、私たちは好きか嫌いかで生きてしまいます。だからこそ、人は尊敬に値することを、お寺に来て何度も確認しなければならないのでしょう。

最後になりますが、このような話を聞いても、いつか忘れると思います。忘れないでくださいとは言いません。忘れていただいても大丈夫です。ですので、忘れましたら、またお寺に来てください。何度でも来てください。何度もお寺に足を運ぶことが、教えを聞くということです。そのお寺で人間の尊さを回復していくのです。皆さんが、またお寺に来ることを願い、私からの話を以上とさせていただきます。ありがとうございました。