26/04/2020

Capítulo 2 Parte IV – A profecia do Buda Nentô (Dīpaṃkara) – O significado do encontro com um Buda 燃燈仏授記 - 仏と出会うということ


Texto: Rev. Futoshi Takehashi “in” Shinran

Tradução e notas: Sayuri Tyō Jun


      Esta profecia é narrada na biografia do Buda Dīpaṃkara e o conteúdo é praticamente igual à biografia do Buda Shakyamuni. Após sua Iluminação e atendendo a Exortação de Brahma, Dīpaṃkara proferiu o Dharma. E seguiu para a cidade de Dipavati [1] onde ocorriam os preparativos para recepcionar o Buda. E surge como visitante, um brâmane buscador do Caminho, um Bodhisattva de uma vida anterior de Shakyamuni, chamado Megha [2]. Foi nesta cidade que Megha encontrou-se com o Buda Dīpaṃkara, reverenciou-o prestando suas homenagens, realizou seu Voto Universal e uma vez merecedor de reconhecimento, recebeu a profecia de tornar-se um Buda pleno.

Notas da tradutora [1]: Dipavati era a cidade real do Rei Archimat, ou Dipa, pai de Dīpaṃkara. O Rei Archimat renascerá como o discípulo Mongalana (Maudgalyāyana), do Buda Shakyamuni.

[2]: Megha ou Sumedha em páli, foi reconhecido pelo Buda Dīpaṃkara (o primeiro dos 24 Budas) como sendo o último dos 24 Budas que aliviariam o sofrimento do mundo. E aprovando a devoção de Megha, profetizou que inumeráveis kalpas depois, nasceria em Kapilavastu como um Buda de nome Shakyamuni.    
 
      Esta história não narra apenas a profecia para Megha, ela está entremeada pela história de seu amigo Meghadatta, aquele que renasceria futuramente como discípulo do Buda Shakyamuni, chamado de Dharmaruci. Essa história apresenta Megha como aquele que encontrou-se com o Buda e Meghadatta como aquele que não conseguiu encontrar-se com o Buda. A razão dessa diferença está em “alegrar-se ou não ouvindo a palavra ‘Buda’”. Embora eu me desvie um pouco do assunto, por tratar-se de um conteúdo de meu profundo interesse, gostaria de apresenta-lo.


 “Virá um Buda de nome Dīpaṃkara” assim ouviu Megha dos habitantes da cidade e ele disse: “Alegrem-se”. E reverenciou o Buda prestando-lhe homenagens, realizou seu Voto Universal e recebeu o Juki – a profecia de tornar-se um Buda pleno. Porém, seu amigo Meghadatta, mesmo ouvindo o incitamento de Megha, mesmo ouvindo a menção ao “Buda”, não teve nenhuma alegria e caiu no Inferno do Sofrimento Incessante [3]. Meghadatta, após transmigrações em incontáveis Samsaras, renasceu como um enorme peixe Timitimingila [4] e quando viu um barco com 500 comerciantes e discípulos do Buda, pensou em engoli-los. Neste instante, os discípulos do Buda exortaram os comerciantes a recitarem juntos: “Namu Butsu”.


Nota da tradutora [3]: Em japonês: 無間地獄 Muken-jigoku. Avīci ou Abi.

[4] Timitimiṅgila: Um dos três monstros marinhos da literatura védica, Timi, Timingila e Timitimiṅgila, citados no Divyāvadāna (Narrativas Divinas – antologia budista do século II d.C. em sânscrito, contém trinta e oito narrativas biográficas que celebram a vida de figuras paradigmáticas na história budista, autentica tradições do dharma locais, e dramatizam a importância da disciplina moral, karma (ação), dana (doação), e o poder da fé e devoção.


     Ao ouvir isso, o grande peixe fecha sua boca e assim morre de fome. No texto original segue-se: “Ouvindo a palavra ‘Buda’, que outrora ouvi, regozijei-me imensamente. Alegrei-me, meu coração elevou-se, e apressadamente fechei a boca.” (I Página 247)

E depois, nasceu como homem e tornou-se discípulo do Buda Shakyamuni. O Buda Shakyamuni terminou de narrar a história de sua própria vida passada, onde obteve o Não-Retrocesso e a história de seu amigo (que agora era seu discípulo), dizendo:


            - Ó Monges, eu não ensino nada além do karma. (I Página 246) 


          Ou seja, aqui podemos pensar que ‘Buda’ é ‘aquele que não ensina nada além do karma’ e ainda, nos é apresenta uma das formas do Nembutsu. Aqui podemos ver que Meghadatta não pôde encontrar-se com o Buda Dīpaṃkara na mesma época que seu amigo Megha. Portanto, Meghadatta não pôde realizar o Caminho do Bodhisattva. Já Megha, nessa ocasião conseguiu encontrar-se com o Buda, prestou-lhe suas homenagens e reverência e sendo acatado, obteve a profecia de tornar-se um Buda pleno.

           O encontro com um Buda, não significa apenas encontrar-se pessoalmente frente a frente com ele. É ter a compreensão e a sensibilidade de perceber que “este é o Buda”. Entender que este outro é o Buda, significa simultaneamente perceber-se como um ser iludido. É saber que existe um eu que procura sair dessa ilusão, ou ainda, reconhecer-se como alguém que sente vontade de salvar-se. É imprescindível que tanto o Buda como a própria ilusão surjam ao mesmo tempo e coexistam. Aqui surge a alegria (do encontro com o Buda).

            Bem, o Voto Universal de Megha, segue-se na seguinte forma:


Ele (que prestou sua reverência e homenagens a Buda Dīpaṃkara) despertou seu coração voltado para a realização da Iluminação, da seguinte maneira:

- “Eu, assim como o atual Honrado do Mundo Dīpaṃkara, tornar-me-ei [5] o Tathagata do futuro [5.1], o Grande Arhat [5.2], o Samyak-saṃbuddha [5.3], o Vidyā-caraṇa-saṃpanna [5.4], o Sugata [5.5], o Lokavit [5.6], o Anuttara [5.7], o Puruṣa-damya-sārathi [5.8], o Śāsta deva-manuṣyānām [5.9]. E ainda, assim como o atual Honrado do Mundo Dīpaṃkara, eu num mundo futuro, provido dos 32 Sinais de um Buda [6], com meu corpo ornamentado pelas 80 Marcas no Corpo do Buda [7], e assim com meu corpo adornado, serei munido dos 18 Méritos Extraordinários do Buda [8], possuirei as 10 Forças do Tathagata [9] e através das 4 Atitudes Confiantes [10], tornar-me-ei um ser grandioso e destemido.


Nota da tradutora [5]: Os 10 Epítetos do Buda, a saber: 1- Nyorai (如来, Tathagata – O Assim-vindo); 2- Ougu (応供, Arhat – o merecedor de oferecimentos); 3- Shôtogaku (正等覚, aquele que alcançou a mais alta e suprema Iluminação, o Despertar - Samyak-sambodhi); 4- Myôgyôsoku (明行足, aquele que é dotado de Sabedoria Búdica e completou todas as práticas); 5-Zenzei (善逝, aquele que transcendeu o mundo das ilusões, o plenamente feliz); 6- Sekenge (世間解, aquele que compreendeu o mundo); 7- Mujôji (無上士, aquele que é insuperável); 8- Chôgojôbu (調御丈夫, aquele que é hábil em guiar os homens); 9- Tenninshi (天人師, o Mestre de Deuses (Devas) e homens); 10- Butsu (仏, Buddha-bhagavat, O Desperto ou Butsu-seson 仏世尊, lokanātha, o Buda Honrado do Mundo).

[6]: Sanjûni-sô (三十二相), em sânscrito: Dvātriṃśan mahā-puruṣa-lakṣaņāni.

[7]: Hachijû shugô (八十種好), 80 marcas distintivas de um Buda, alguns incluídos no Sanjûni-sô. Tradicionalmente, diz-se que um Buda leva 100 Grandes Kalpas para desenvolver essas marcas.

[8]: Jûhachi Fugu-buppô (十八不共仏法), em sânscrito: aṣṭādaśāvenikā buddha-dharmāḥ.

[9]: Jû-riki (十力), em sânscrito: daśa tathāgata-balāni, as 10 Forças, a perfeita compreensão dos 10 Campos do Conhecimento.

[10] Shimusho-i (四無所畏): 4 estados confiantes do Buda ou do Bodhisattva, principalmente no que se refere a proferir o Dharma.


 “E por minha vez, eu quero girar a Suprema Roda do Dharma assim como fez o atual Honrado do Mundo Dīpaṃkara.

Da mesma maneira, que todos os Devas e homens me considerem aquele que deve ser ouvido e aquele em quem devem crer.

Que eu, assim como fui guiado pelo atual Honrado do Mundo Dīpaṃkara, quero guiar os seres sencientes;

Do mesmo modo como me foi concedida a Libertação, desejo libertar;

Assim como obtive a suprema paz e tranquilidade, quero conseguir que todos obtenham a mesma suprema paz e tranquilidade.

Para o benefício de todos os seres viventes, pela paz e tranquilidade de todos os seres sencientes, por piedade ao mundo e aos seres viventes, para o benefício dos Devas e dos seres humanos, quero ser a razão da felicidade.”


            Neste momento, o Honrado do Mundo Dīpaṃkara reconheceu que o jovem Megha estava esforçando-se para obter a Suprema Sabedoria Búdica, e reconhecendo o acúmulo de méritos de suas boas ações, o completo, inequívoco e imaculado Despertar da Mente voltada para a realização da Iluminação Búdica (Hosshin) e o Voto Universal (Seigan), concedeu-lhe o Anuttara-Samyak-Sambodhi - a Mais Alta e Insuperável Iluminação Búdica. (I Página 238-239)


            Os versos apresentam-se da seguinte maneira:

Nota do autor: Os versos seguem uma forma fixa. Especula-se que os Sutras foram escritos para explicar esses versos. Neste texto sagrado “Mahāvastu” (em japonês: Daiji 大事 = importante, precioso) existe uma parte em prosa – Jôgô 長行 (parte do Sutra escrito em prosa) que segue um estilo repetitivo em forma de poema. 


Assim como pratica aquele que não possui o apego em seu coração, eu quero praticar neste mundo.

Eu quero girar a incomparável e solenemente ornada Roda do Dharma que é reverenciada por Devas e homens.

Eu quero viver para o bem do mundo.

Eu quero proferir o Dharma para Devas e homens.

Eu quero guiar os seres viventes, como a Luz do Mundo, assim como o Buda Dīpaṃkara. (I, Página 242)


            Mesmo aqui, a questão é que o Voto Universal e a salvação de todos os seres viventes, são naturalmente o propósito de se proferir o Dharma. Porém, como venho discorrendo até agora, com relação ao Voto Universal concebido em vidas passadas, os Budas não concederam imediatamente ao Bodhisattva a profecia em se tornar um Buda. Isso não significa que o Voto Universal estivesse incorreto, mas indica que até então, o Hosshin (Despertar do Coração Voltado para a Realização do Satori) e o Seigan - Voto Universal, têm origem no Caminho da Salvação, e este Caminho da Salvação é que possibilitou a construção do próprio Seigan, até finalmente ser concluído plenamente como Seigan.

            O conteúdo em si do Seigan – Voto Universal, não sofreu nenhuma alteração desde o seu início, nem se tornou um Voto de melhor qualidade. Pelo contrário, devemos pensar que a questão contida dentro do Seigan é que saiu vencedor. Ou seja, é a confirmação de que certamente após a obtenção da Iluminação, houve o progresso da ‘hesitação inicial em proferir o Dharma’ para a consolidação da ‘tomada de decisão em ensinar o Dharma’. Trata-se da origem da superação do episódio da “impossibilidade de transmitir o Dharma”, já descrito anteriormente.

           Em resumo, fundamentalmente, a impossibilidade inicial de se guiar outras pessoas rumo à Libertação, foi vencida. No momento em que “os outros” e o “Dharma” são separados (discriminados), ocorre a contradição. Pensar em termos de que o “Dharma = Verdade que se transmite” é o mesmo que “transmitir o Dharma” como “algo que não se consegue transmitir”, é o resultado de discriminarmos o Dharma. Certamente que nos termos discriminatórios, “transmitir o Dharma” é uma impossibilidade. E ainda mais, não se consegue “guiar outras pessoas”. Isso se deve pelo fato de não se enxergar que “o Dharma também trabalha para outras pessoas”. Afirmar que “eu vou transmitir e guiar” pois justamente o encontro com o Dharma, é que me possibilita possui-lo – este pensamento é também mais uma vez, a atuação do Bonnô – nossas paixões mundanas. Diante desta postura, torna-se mesmo impossível a transmissão do Dharma.

            Posteriormente esta narrativa foi incorporada ao Budismo Mahayana, por exemplo no Dôgyô-Hannya-Kyô [11] é descrito:


Nota da tradutora [11]: Dôgyô-hannya-kyô 道行般若経, em chinês: Tao-hsing-pan-jo-ching. Em sânscrito: Astasāhasrikā-Prajñāpāramitā-Sūtra. Versão em 10 fascículos do Hannya-kyô (Prajnaparamita Sutra), traduzido do chinês por Lokakṣema (Shirukasen 支婁迦讖) no século II, corresponde à quarta seção do Daihannya-kyô (Maha Prajnaparamita Sutra).  Composto no século I, trata-se da mais antiga tradução das escrituras Prajna, Hannya-kyô em chinês. Foi traduzido por Kumarajiva com o título de Shôbon 小品. 


Disse o Buda:

Quando eu ofereci 5 flores ao Buda Dīpaṃkara, imediatamente eu obtive o Mushôbônin [12]. Nesta condição, o Buda Dīpaṃkara concedeu-me a profecia de tornar-me um Buda pleno:

-“Após passarem-se incontáveis kalpas, tornar-te-ás o Buda Shakamon”.  (Taishô-daizô “Tripitaka” - Volume 8, página 458) [13]


Notas da tradutora [12]: Mushôbônin 無生法忍, em sânscrito: anutpattika-dharma-kṣānti. Estágio alcançado pelo Bodhisattva no sétimo, oitavo e nono bhūmi (10 estágios de desenvolvimento da Sabedoria búdica). Para o Budismo Shin trata-se daquele que possui a plena certeza de que renascerá na Terra Pura.

[13]: Taishô-daizô 大正蔵 – Em sânscrito:Tripitaka - Compilação das Escrituras Sagradas do Budismo, traduzidas do chinês. A primeira edição do conjunto foi feita na China com o nome de Dazang Jing, em 518. A primeira edição japonesa surgiu em 1630. A edição japonesa mais recente e mais confiável chama-se Taishô-shinshû-daizôkyô (Título resumido: Taishô Daizôkyô) publicada entre 1923 e 1934.      
    
            Esta escritura sagrada é para o Budismo Mahayana, um dos escritos mais antigos. O “Mushôbônin” é descrito como o selo, a marca do estado de Não-Retrocesso. Ou seja, todas as coisas e todos os seres não surgiram por si mesmos e nem ao acaso. Tudo está condicionado à Originação Interdependente, ao Engi. A Sabedoria em compreender essa inter-relação significa a obtenção do Hannya-Haramitsu ou Prajnaparamita - Sabedoria Transcendental, que é o mesmo que obter o estado de Não-Retrocesso.          
            Isso significa transcender a dicotomia ‘eu e você’. Enfim, significa não enxergar o outro pela própria ótica, não tornar a própria existência um pressuposto. Ou seja, é enxergar o mundo através da maneira de ver do Buda, é ver o mundo onde tudo e todos são a Originação Interdependente. É enxergar incondicionalmente a pessoa ao lado.

            Anteriormente foi citado que o Buda é “aquele que somente ensina sobre o Karma”, ou seja, o Karma não é o conteúdo de uma pessoa que se manifesta somente e concomitantemente ao surgimento dessa pessoa. Em outras palavras, a própria pessoa é que é a Vida que ela vive. É um equívoco acreditar no princípio de que somente existindo um “eu”, esse “eu” vive a Vida.  Porém, essa é uma visão impossível diante de nossos princípios básicos. Não conseguimos superar a estrutura em que contemplamos a nós mesmos sempre do lado de fora. Mesmo havendo indicação deste equívoco, mesmo que aceitemos isso, no instante seguinte, o “eu” que compreende este processo, como sendo um “eu” que enxerga o mundo, impera do lado de fora de si mesmo. E esse “eu correto = eu que enxerga” sobrevive sem ser questionado fundamentalmente. Assim, aquele que supera esse processo é chamado de Bodhisattva do Não-Retrocesso.

            Se pensarmos a partir do Seigan – Voto Universal, significa perceber que “o Seigan não pertence somente a mim mesmo”. Não é algo “construído e realizado por mim mesmo”, é tomar conhecimento de que mesmo o próprio Seigan como um Voto pessoal, é algo “que foi sendo concedido”. Em outras palavras, é perceber também, que o Seigan apresenta-se como Voto Universal próprio que se volta por sua vez, para o anseio por salvação que todos possuem. É sentir que se trata “do encontro com o Seigan há muito já existente”.

            Se vemos pela perspectiva daqueles que serão salvos, estamos todos em meio ao sofrimento, manifestando o Karma. Para nós, isso é sinônimo de que “o mundo existe”. Pode-se afirmar que a busca pela libertação deste mundo e o desejo de uma salvação indiretamente representada na forma de nosso sofrimento, é indiscriminado, é comum a todos.

         Para o Bodaishin (a Mente Búdica), não há nenhum comprometimento com o fato de alguém possuir ou não o Jikaku (possibilidade de se atingir a Iluminação por conta própria), visto que todos encontram-se em estado de ilusão e de sofrimento, aspirando a libertação. Ou seja, dependendo de ser tocado ou não pela mente que busca a salvação e que assim busca tornar-se um Buda, é que o Bodhisattva, por si mesmo, percebe que o seu próprio Voto, não foi elaborado individualmente como Bodhisattva.

  Quando se consegue perceber isso, é que se supera a hesitação em proferir o Dharma e o Bodhisattva que está no Caminho da Salvação, obtém o Não-Retrocesso. Assim, o Bodhisattva passa a ver que todos são passíveis de serem necessariamente, salvos pelo Dharma, assim como ele mesmo Bodhisattva, fora salvo pela força do Dharma, não é ele sozinho quem salvará as pessoas, pois o Voto possui um direcionamento que visa a todos. E assim, ele mesmo passa ‘daquele que salva’ para ‘aquele que expressa o Dharma’, esse é o significado de passar para o estado de Não-Retrocesso. O significado do Voto sofre uma modificação.

            Assim, receber o Não-Eu e o Vazio como conteúdo da Sabedoria do Buda é o ponto de chegada que devem obrigatoriamente alcançar, aqueles que tornaram-se Bodhisattvas construindo o Seigan – Voto Universal. Por exemplo, no Hanjuzanmai-Kyô [14] e no Kan Muryôju-Kyô - Sutra da Contemplação da Vida infinita, consta que obter a Sabedoria de contemplar todos os seres como sendo vazios, ou seja, obter o Mushôbônin (vide nota 12) é o selo do Não-Retrocesso, que por sua vez, é o encontro com o Buda. Essa obtenção, significa poder encontrar-se com o Buda sempre, a qualquer tempo. Assim, todos os seres iludidos podem ser envoltos pela Sabedoria Búdica.


Nota da tradutora [14]: Hanjuzanmai-Kyô 般舟三昧経, em sânscrito: Pratyutpannabuddhasammukhāvasthitasamādhi-sūtra. Provavelmente se originou por volta do século I a.C na região de Gandhara, no noroeste da Índia. Traduzido por Lokakṣema (Shirukasen 支婁迦讖) em 3 volumes, do sânscrito para o chinês. Expõe sobre o método de visualização de Amida através da prática do hanju-zanmai. É um dos primeiros Sutras Mahayana que mencionam Amida.



Meghadatta renascido como peixe Timitimingila 

4 燃燈仏授記 - 仏と出会うということ



                        それは燃燈仏の仏伝の中で語られる。その内容はほとんど釈尊の伝記と同じである。正覚の後、梵天の勧請を受け、説法する。そしてディパヴァティーの町に現われる。町では仏が来られるので、歓迎の用意がなされていた。そこに婆羅門として道を求めていた釈尊の過去の生涯での菩薩、メーガが訪れる。彼はそこで、燃燈仏に会い、供養し、誓願して、それを認められて授記を与えられるのである。

      またこの物語にはメーガが授記を得るだけではなく、その友人メーガダッタの物語が釈尊の弟子のダルマルチの過去の生涯での物語として織り込まれている。そこでは燃燈仏と出会えた者としてのメーガと、出会えなかった者としてのメーガダッタが表現されている。その違いの理由は「『仏』という言葉を喜んだかどうか」ということである。少し横道にそれるが興味深い内容なので紹介しておきたい。

「燃燈という名の仏が来る」と町の人に聞いたメーガは「喜びを生じ」、その仏に供養し、誓願し、授記を得る。しかし、メーガからの話を聞き「仏」という言葉を聞いても「喜びがなかった」友人メーガダッタは無間地獄に落ちる。メーガダッタは数々の輪廻の後、ティミティミンギラという大魚となり、五百人の商人と仏弟子の乗った船を飲み込もうとした。そのときに商人たちは仏弟子に言われて「南無仏」と称えた。

それを聞いた大魚は口を閉じ、そのまま飢えて死んだ。本文には次のようにある。「以前に聞いていた『仏』という言葉を聞いて、大いに歓んだ。喜び、心踊り、急いで口を閉じた。」(I 二四七頁)そして人に生まれて釈尊の弟子となった。釈尊は不退を得た自分の過去の生涯と(今は自らの弟子となった)その友人の物語を説き終わり、次のように言う。

      比丘等よ。私は業以外のことは説かない。(I 二四六頁)

      つまりここでの「仏」とは「業以外のことを説かない者」と考えることができるであろう。また念仏の一つのかたちも示されている。

ここで見られるように友人のメーガダッタは燃燈仏とはメーガと同じときに出会えなかったのである。だからそのときは、菩薩行ができなかったということである。それに対してメーガはそこで仏に出会うことができて、供養をし、それを受け入れられて授記を得たのである。

       [仏と出会う]とは直接対面することを意味するのではなくて、「この方が仏である」と理解・感覚することである。相手が仏であるとわかることは、同時にこちらは迷っている者であり、そこから出ようとしている自分がいることを知る、あるいはすくわれたいと感じている自分を知るということでもある。仏と自らの迷いとが、同時に存在しなければならないのである。そこには喜びもある。

      さて、メーガのなした誓願は次のとおりである。

(燃燈仏を供養した彼は)次のように心を発こした。

「私もまた現在の世尊燃燈のように、未来世に如来、応供(おうぐ)、正等覚、明行足(みょうぎょうそく)、善逝(ぜんぜい)、世間解(せけんげ)、無上士(むじょうじ)調御丈夫(ちょうごじょうぶ)、天人師(てんにんし)になろう。私もまた現在の世尊燃燈のように、未来世に、三十二相が備わり、八十種好(しゅごう)で身体は飾られ、十八不共仏法(ふぐぶっぽう)が備わり、如来の十力という力を持ち、四無所畏(むしょい)によって畏れなき広大なる者になろう。

そして私もまた、現在の世尊燃燈のように無上の法輪を転じたい。同じように、天、人たちが聞くべき者、信ずべき者と考えるように。私もまた現在の世尊燃燈のように、導かれた私が(衆生を)導きたい、解脱させられた私が解脱させたい、安穏を得た私が安穏を得させたい。衆生の利益のため、衆生の安楽のため、世間への悲愍(ひみん)のため、衆生のため、天、人たちの利益のため、幸福のためになりたい。」と。

            そのとき、世尊燃燈はメーガ青年が、無上なる仏智に勤めているのを知り、善根の積集である、完全で、過誤なく、疵(きず)がない発心・誓願を知り無上正等覚を授記した。(I 二三八~二三九頁)

            偈文には次のようにまとめてある。<*偈とは定型の歌のことである。これを説明するかたちで経典ができ上がっていったとも考えられている。この『大事』では先に散文(長行 じょうごう)があって、それを偈文のかたちで繰り返すという形式になっている。>

心に執着がないこの方が行うように、私はこの世間で行いたい。比類なく、よく荘厳され、天・人に供養される法輪を転じたい。私は世間のために行いたい。天・人たちに法を説きたい。この世間の光(燃燈仏)のように衆生を導きたい。(I 二四二頁)

            ここでも当然ながら誓願は一切衆生のすくい、そのための説法ということが問題となって展開している。しかし今まで述べてきたように、これ以前の生でなされた誓願に対して仏たちは授記を与えなかった。それは、それまでの誓願が誤っていることを示すのではなく、これまでの発心・誓願と、それにもとづく求道が、この誓願を建てさせ、ようやく誓願として完成したことを示していると考えられる。

            誓願の内容自体は最初のものと変わっていないし、より良い誓願になったということはない。むしろ誓願の中にある問題が克服されたと考えられるべきである。つまり、後にさとりを得たときに説法躊躇から説法へと進むことが確かなこととなったということである。それは先に述べた説法不能ということの根拠を乗り越えたということになる。

            つまり基本的には他の人を解脱に導くことの不可能性が克服されたのである。「他」と分別した時点で「法」と矛盾するのである。「法=真理が伝わる」ということを「法を伝える」と考え「伝えることができないもの」として、法を分別してしまうからである。確かに分別においては「法を伝えること」は不可能なのである。それ故「他を導く」こともできない。それは「他にも法がはたらく」ということを見ていないのである。「自分が伝え導く」という、法に出会ったからこそ持つことのできる、この想いもまた煩悩である。そこに立って法を伝えることは不可能なのである。

            後にこの物語は大乗仏教に取り入れられて、たとえば『道行般若経』には次のように説かれる。   

仏がおっしゃった。「私が燃燈仏の上に五本の花をまいたときに、すぐに無生法忍むしょうぼうにんを得た。その中に立って、燃燈仏が私に授記を与えておっしゃった。『無数劫の後に、君は釈迦文仏となろう』」と。(大正蔵八巻 四五八頁)

            この経典は大乗仏教においてもっと古いものの一つである。そこでは不退転の印として「無生法忍」が説かれる。つまり一切は生じたものではない、縁起したものであるということを知る智慧、般若波羅蜜を得ることが不退転を得ることである。

            それは自他を超えるということである。つまり、自分の見方で他を見ず、自分の存在も前提としないということである。つまり仏の方向から世界を見る、一切が縁起しているものとして世界を見るのである。無条件に相手を見るのである。

            先ほどは仏を「業のみを説く者」としたが、つまり、業がその人の内容であって、その人がいて、業をなすのではないということである。言い換えれば、生きている人生こそが自分自身なのであって、自分がいて人生を生きているのではないということである。しかし、それは私たちには基本的には不可能なものの見方なのである。いつも外から自分自身を眺める構造は克服できない。その過ちは指摘されることはあったとしても、そしてそれを受け入れても、次の瞬間には、それを知った自分が、世界を見る自分として、自分の外側に君臨するのである。その「正しい自分=見る自分」は根本的には問われずに残るのである。その問題が克服されたのが不退転の菩薩である、ということになる。

            誓願ということから考えれば、「誓願が自分だけのものではない」と気付くことである。「自分が建てて実現するもの」ではなく、自らの誓願も「与えられていた」と気付くことである。言い換えれば、それはまたすべての者が持っているすくいへの願いが、自らの誓願として、表現されていたことに気付くことでもある。「既にあった誓願に出会った」と感じることである。

            すくわれる側を見れば、一切の者が業をなし、苦の中にいるということである。私たちにとっては、それが「世界が有ること」と同義なのである。そして、そこからの解脱を求めていること、「苦」というかたちで表現される間接的なすくいへの「願い」が無差別である、と言えるのである。一切が迷い苦しむというかたちで、そこからの解脱を願っているという、いちいちの者たちが自覚的であろうかどうかには関わらない菩提心、つまりすくいを求める心、仏になろうとする心に触れることによって、自らの願は、その菩薩個人がなしたものではないということに菩薩自らが、気付くということである。

            それに気付くことができたときに説法の躊躇が克服され、菩薩は求道において「不退転」になるのである。願を持つ方向性、つまり人を自分がすくうということではなく、自らが法の力によってすくわれたように、すべての者が法によってすくわれるべきものとして見えるようになるのである。そして自らが「すくう者」から「法を表現する者」となることが不退転の意味である。願の意味が転換するのである。

            つまり無我や空ということを、仏の智慧の内容としていただくことが、誓願を立てて菩薩となったものが行き着くべきところなのである。たとえば『般舟三昧経はんじゅざんまいきょう』や『観無量寿経かんむりょうじゅきょう』には一切を空と観じる智慧を得ること、つまり無生法忍を得ることが、不退転の印であり、それがまた仏と出会うことであると説かれている。それを得るということは、いつでも仏に出会えるようになったということでもある。それによって迷っている者たちを包み得るようになるのである。