23/08/2020

Shūrihandaka 周梨槃陀伽 discípulo do Buda e o myōga 茗荷

Entre os discípulos do Buda Shakyamuni existiam dois irmãos: Mahā-panthaka, o mais velho e seu irmão Cūḍa-panthaka, que é citado no Sutra de Amida (Amida-Kyô) como Shūrihandaka. Enquanto o irmão mais velho, muito inteligente ascendia rapidamente no Caminho, Shūrihandaka ao contrário, era extremamente destituído de inteligência. O que aprendia de manhã, ao entardecer já havia esquecido completamente. Não conseguia sequer lembrar-se do próprio nome. O esquecimento do próprio nome impedia que recebesse alimento quando ia esmolar, pois todos duvidavam que ele fosse verdadeiramente discípulo do Honrado do Mundo. Muito apreensivo com a situação, o irmão mais velho pede auxílio ao Buda e este, preocupado, resolve escrever o nome de Shūrihandaka numa pequena placa e o fez carregar sempre junto ao corpo, aconselhando-o que quando os aldeões desconfiassem dele não ser discípulo do Buda e perguntassem-lhe o nome, mostrasse-lhes a placa que o confirmaria como discípulo, tranquilizando as pessoas. Assim Shūrihandaka passou a receber muitos donativos. O tempo passava e cada vez mais ele se entristecia de sua condição, vendo seu irmão e companheiros atingindo a Iluminação e ele ficando para trás. O Buda chamou-o para conversar e Shūrihandaka perguntou como alguém podia ser tão tolo e por extensão, como alguém tão estúpido como ele poderia ser digno de ser discípulo do Buda. Sequer conseguia lembrar-se do próprio nome, como poderia atingir a Iluminação?

Shakyamuni diz: Reconhecer-se como um tolo ignorante é atributo de quem possui inteligência. O verdadeiro ignorante é aquele que não reconhece a própria ignorância. Deu-lhe uma vassoura e mandou-o repetir enquanto varresse: Tirar o lixo, remover a sujeira.

E deste dia em diante, fizesse sol ou chuva, calor ou frio, todos os dias Shūrihandaka varria e limpava repetindo o que o Buda ensinara. E em vez de Shūrihandaka, o tolo, passou a ser chamado de Shūrihandaka da vassoura. Com o tempo ele percebeu que varreu todo lixo e limpou toda sujeira de seu coração, alçando a condição de um dos 16 Grandes Arahat. Vendo sua evolução, o Buda disse diante da Grande Assembleia: Atingir a Iluminação não significa ser conhecedor de muitas coisas. É melhor apreender e dominar completamente uma única coisa que seja, assim como Shūrihandaka que obteve o Satori através da sua total dedicação em varrer e limpar.

Dizem que após sua morte, no túmulo de Shūrihandaka, nasceu uma estranha planta, nunca vista antes e chamaram-na de Myōga* em homenagem ao discípulo do Buda, que não se lembrava do próprio nome. 

 

Esta é a origem do ditado popular que diz que comer myōga em demasia causa esquecimento.

Myōga ou Gengibre-mioga ou Zingiber mioga é uma planta da família das Zingiberaceae, pertencente à mesma família do gengibre. O botão de flor do myōga é comestível, muito apreciada na Ásia.


Descobri recentemente que o brasão de minha família (Sakane) é composto de imagens do myōga.

 *Myōga 茗荷 é composto do Kanji (mei, myō) broto de chá, chá colhido tardiamente, bancha, simbolicamente significa altaneiro, elevado, altivo. tem a mesma sonorização e leitura do Kanji (nome). E (ni, ka) significa carregar, receber, bagagem, carga, e por extensão: incômodo, aborrecimento. Desta maneira, a composição da palavra myōga tem como significado ‘carregar o nome’.

Ambos Kanji são encimados pelo radical ou (Kusa-kanmuri), indicativo de planta.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário